Gandaia

playlist balada

Sempre gostei de música e de festa, mas não de balada. Por muito tempo foi assim: a gente reunia os amigos, ligava o som, eu ia escolhendo as músicas (aham, sempre dava pitaco nas playlists), a gente dançava primeiro na varanda, depois no quintal, depois na chácara, na mesa… Entre amigos, umas dez, doze pessoas, bebidinha, e um ambiente em que eu me sentia muito tranquila e segura pra fazer o que me desse na telha.

No interior, balada sempre foi uma coisa meio igual, com músicas que eu não gostava muito, um público que não tinha nada a ver comigo e muito aperto. E eu não gosto de aperto. Gosto de espaço. Porque eu gosto de dançar.

Quando me mudei pra São Paulo, continuei achando que não gostava muito. Eu ia nas festas da faculdade, mas só nas da ECA, porque eu sabia que ia tocar as músicas que eu gostava, com pessoas que eu gostava e a bebida era muito barata. Mas eu também não fui em muitas, porque eu comecei a trabalhar cedo, e cada vez tinha menos ânimo pra me vestir, me arrumar, sair de casa, ficar na fila, etc etc etc.

Quando eu fiquei solteira, eu quis sair menos ainda pra balada (abre parênteses: eu falo “pra balada”, mas tem muita gente que fala “de balada” e eu nunca sei, fico confusa, fecha parênteses). A perspectiva de ir pra um lugar cheio de gente que eu não conhecia, sem a certeza de que eu ia me divertir, pagar caro pra beber e não gostar do que estivesse tocando me deixava com mais vontade de passar a noite inteira fazendo abdominal do que sair de casa. Eu tava em um momento em que eu queria fazer coisas certeiras, que me deixariam felizinha, tipo jantar com meus amigos, ver Netflix, comer pizza, ler um livro. E eu tinha preguiça. Muita preguiça.

gandaia playlist balada

Eis que ultimamente, contra todas as minhas expectativas, eu tenho gostado de sair. Não sei se é um novo momento, se são as companhias, se são os lugares que eu estou indo, mas me abri pra essa experiência da noite (oi, sou véia). Primeiro eu tive que me libertar desse preconceito de que todas as baladas/festas/lugares são iguais, com pessoas iguais, músicas iguais. Não são. Mas depois disso, tô me divertindo muito. E tô inclusive me libertando da ideia de que “tenho que me comportar de um jeito xis porque está cheio de gente desconhecida ao meu redor”. E daí, né? Vamos agir como a gente tiver com vontade de agir. Dançar se quiser dançar, ficar no cantinho curtindo a música se quiser ficar no cantinho, rodopiar se der na telha, descer até o chão. Vamos balizar menos o nosso comportamento de acordo com o olhar do outro. Se tiver olhando, mil beijinhos.

Um dos resultados disso é que muita gente me manda mensagem no snapchat (cheznoelle) perguntando qual a festa que eu tava ou que música era aquela que tava tocando -aham, sou a pessoa que faz snap de balada, mas é só por o dedinho na tela pra pular gente, sem grandes traumas- e pedindo pra fazer uma playlist. Quem me segue no Spotify já deve ter percebido que eu curto mesmo esse troço de fazer playlist. Eu fiz a Catorze, só com as músicas memoráveis da minha adolescência, e tem mais umas por lá, e aí montei essa aqui embaixo, batizada carinhosamente de Gandaia. Porque quando eu não estou ~na balada~ eu sou uma vovó de 64 anos que fala gandaia :)

Espero que gostem <3

Essa playlist é bem o momento que eu tô vivendo agora, as músicas que eu gosto de ouvir quando saio e que eu tocaria se fosse DJ de uma festa -de uma festinha indie-rocker, no caso, né. Aproveita que amanhã é sexta e já segue pra animar o fim de semana. Mesmo que consista em ficar em casa vendo Netflix, porque sério, muito amor.

Bisous, até depois!

{a foto é do Weslen Allen / I Hate Flash, eu e o Igor na festa ILHA}

coracao

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Na minha vida #32: tempo

Voltar de Mogi foi dureza. Não de Mogi, em si, mas voltar à rotina. Cê fica um mês fora e não tem como não sentir que tudo está diferente, ainda que exatamente igual. Sua cama está do mesmo jeito, suas coisas, no mesmo lugar, o trânsito continua caótico, o pôr do sol da sua janela ainda lindo, igual a todos os outros dias. No entanto, um mês se passou e as pessoas viveram todos aqueles dias, e histórias foram criadas, e você não estava ali. E parte de você se questiona o que teria sido diferente caso você tivesse feito parte dessas narrativas. Minha mente, sempre questionando.   Voltei e quis fazer parte de tudo. Matar todas as saudades, de uma vez, me sufocar de amor de gente que me faz muito bem, e me faz muita falta. Vivi alguns dos melhores dias dos meus 26 anos nessas últimas semanas. Saí, e saí, e saí, e lembrei como é bom conhecer gente, abrir espaço pra mais pessoas legais fazerem parte da minha vida, visitar outros lugares, vivenciar outras coisas. Tudo nesse clima de “estou me conhecendo” que contei aqui.

I go to loud places to search for someone to be quiet with 💥 📷 @ihateflash

Uma foto publicada por stephanie noelle (@chez_noelle) em

  Mas tudo isso tem seu preço: meu tempo. E vocês bem sabem como ele é escasso. Como eu vivo em dilemas de faço isso ou faço aquilo. No fim, não adianta, eu tenho as mesmas 24 horas que qualquer pessoa, independente da minha louca vontade de viver e aproveitar as coisas. Ou da minha preguiça, dependendo do dia. E meu trabalho, minha saúde, meu blog & canal, meus amigos, meu descanso, tudo tem que caber nessas diminutas 24 horas. Parece impossível. Às vezes é. Mas tem que acontecer.   No fim das contas, é tudo uma questão de prioridade. De colocar na balança o que eu quero muito agora versus o que eu quero no futuro. Não acho que seja um resultado óbvio. Até porque viver só de olho no que a vida vai trazer ali na frente é um jeito bem merda de viver. Porque o dia de hoje não vai voltar, você não vai reviver, então sim, eu acredito que há momentos em que devemos priorizar o agora em detrimento do futuro. E vice-versa. Saber viver é uma ciência meio exata, meio humana.  

parece que vai sufocar, mas não sufoca 🌃💙   Uma foto publicada por stephanie noelle (@chez_noelle) em

 coracao Ouvindo Cês já sabem que eu sou a mais atrasada nos hypes todos. Então só esses tempos que dei a devida atenção a uns nomes que todo mundo escuta há milhares de ano: Tame Impala e Arctic Monkeys. Eu sei, que 2015 da minha parte. Mas é isso aí, tô nessas. Fora isso, voltei a ouvir loucamente o Art Angels, da Grimes, que eu amo muito e já falei dela mil vezes lá no Petiscos <3

coracaoLendo Nosso clube do livro voltou! E estou lendo “Faça Acontecer“, da Sheryl Sandberg. Contei mais aqui nesse post, então se você quiser saber do que é o livro e entrar pro nosso clube, só clica aqui.

coracaoAssistindo A única coisa que eu poderia estar vendo nesse momento: todas as temporadas de Gilmore Girls, que estão, finalmente, na Netflix. Acabei de começar a terceira temporada, aquela do Jess, e nossa… só amor.

coracao Ansiosa para Minhas férias, que estão chegando. Não vou ficar de pernas para o ar, não vou viajar, mas tô ansiosa mesmo assim. Isso que dá ter tanto Capricórnio no mapa (eu sou sagitário, mas tenho mil planetas em capricórnio): fico ansiosa pra produzir mais.

  coracaoFeliz por  Tudo o que tem acontecido. Cada diazinho, cada momento, cada pessoa. Estar tão próxima da Isa e do Fê têm me feito um bem gigante, porque somos pessoas com pensamentos muito compatíveis não só na vida, mas no trabalho, e isso ajuda muito na hora em que eu preciso abdicar de estar com amigos, de ter vida social, pra poder trabalhar. Por ter a Taia ao meu lado me ajudando a superar bads, curtindo minhas conquistas, e mostrando que esse negócio de ter alguém pra chamar de sua “pessoa” (como nos ensinaram Meredith e Christina em Grey’s Anatomy) é real mesmo. E por ter, mais uma vez, uma prova de que têm pessoas na nossa vida que, não importa como elas chegaram, ou há quanto tempo, foram feitas pra estar ali, ao seu lado, tipo uma pecinha de um quebra-cabeça, que de repente, se encaixa ali num pedaço e a figura toda fica muito mais interessante, né Igor?

duplinha no remelexo 👯 @igorfventura Uma foto publicada por stephanie noelle (@chez_noelle) em

 coracao Pensando sobre O que é que eu tenho que aprender agora. Pra onde ir, se eu pego a estradinha à direita ou à esquerda. O que vai me fazer mais feliz ou me machucar menos. Ou me arrepender menos. Se eu fico, ou se eu vou. É, todo dia, a quase todo momento, eu me faço essas perguntas. Até agora, nada decidido e a cada momento eu acho que vou fazer uma coisa diferente. Acho que, no fundo, eu sei o que tenho que escolher. Eu só estou adiando o momento em que a ficha vai cair. 

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Pé na Estrada, as fotos

stephanie noelle petite jolie

Uma das coisas mais legais que o blog me proporcionou até hoje, além de vocês que me leem e me escrevem e são incríveis comigo, foi fotografar a campanha da Petite Jolie. Não só pela experiência de fazer algo que eu nunca havia feito antes, e algo muito legal, mas por todo o conjunto da obra. Conhecer mais da marca e ficar próxima das pessoas que fazem tudo acontecer foi ótimo. Se eu já achava a Petite Jolie legal antes, depois de ter essa imersão -tanto no dia das fotos, quanto no evento que eles me convidaram lá em Novo Hamburgo, na fábrica, que contei tudo aqui  eu tive certeza que era aquilo tudo mesmo. Gente que faz com amor, que acredita, que leva em consideração o consumidor, que coloca a alma no trabalho. Meu tipo de gente.

A campanha tem o mote “Pé na Estrada“, e mais do que falar de viagens, fala sobre mudanças. Sobre garotas que mudaram toda a sua vida de lugar e vivem longe da sua terra natal, e o quanto isso pode ser assustador, mas quão especial e divisor de águas é, ao mesmo tempo. Esse é um tópico muito querido pra mim, cês sabem. Então falar sobre e, quem sabe, inspirar outras garotas a fazerem algo do tipo, foi incrível demais. Olha só o vídeo da campanha -eu fiquei toda emocionada quando assisti, não vou negar. Além de mim, a Carol Burgo e a Aline Carvalho completaram a tríade da campanha e conhecê-las lá no Sul foi sensacional. As duas estão no meu coraçãozinho :)

E as fotos? Olha, óbvio que sou suspeita, mas gostei demais. Nós fotografamos nos meus lugares preferidos, aqui em São Paulo, e eu usei as minhas próprias roupas, com os sapatos e bolsas da marca, o que me deixou bem mais à vontade e muito mais a minha cara do que se tivesse sido uma produção totalmente aleatória.

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Um dos lugares foi a Praça do Pôr do Sol (essas fotos em que eu estou com esse vestido clarinho), que, pelo nome cês já devem imaginar, tem um pôr do sol de tirar o fôlego e uma vista maravilhosa. Tá, é um monte de prédio, mas eu gosto, gente. Acho poético esse monte de concreto, no fim das contas haha.

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A gente também fotografou na Santo Pão (essa foto aqui de cima), uma das minhas padarias preferidas daqui, e eu, como viciada em café e defensora dos cafés da manhã como melhor refeição do dia, sugeri que a gente passasse por lá. Ps: esse bolo de banana com doce de leite é de comer de joelhos. Podem pedir quando forem lá.

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Eu acho engraçado olhar pra essa foto aqui em cima e olhar pra essa aqui embaixo. Pra mim são duas Stephanies, uma que eu era, e outra que fui me tornando. Eu falei sobre como mudei do fim do ano passado pra cá, e essas duas fotos só provam o meu ponto. É isso. A gente tá sempre mudando, e isso não é, nunca, uma coisa ruim.

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Tem mais fotos de como foi o processo todo aqui dentro, ó!

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Mulher não gosta de sexo?

desejo feminino com isabella saldanhaO desejo feminino é um tabu, fato. Tem essa ideia muito difundida por aí de que as mulheres não gostam de sexo, ou gostam menos do que os homens, sentem menos “vontade” ou até “necessidade”, e eu e a Isa resolvemos conversar sobre isso. Por que será que é tão incrustado na cabeça da sociedade que a mulher não é um ser sexual? Ou que, se é, é por que é promíscua, tem menos valor e coisas arcaicas do tipo?
Espero que cês gostem e compartilhem a opinião de vocês a respeito do assunto, também! Ah, e se gostarem, compartilhem o vídeo! Compartilhar é amor <3

E aí, como cês já sabem, a gente grava também um vídeo pro canal da Isa, o Fotografando à Mesa, que tem que conhecer. Ela e o Fê estão postando vídeos todos os dias, com vlogs diários, receitas, conversinha, etc, e tá muito imperdível :)
Enfim, pro canal da Isa a gente conversou sobre um assunto que, se você me acompanha a algum tempo, já deve ter percebido que é uma constante na minha vida: FOMO. O tal do “fear of missing out”, uma expressão em inglês que significa algo como “medo de ficar de fora”. Aquela ansiedade de estar sempre perdendo algo, seja uma informação, seja diversão. Eu, por exemplo, durmo bem pouco porque prefiro fazer coisas (seja produzir algo ou ler ou ver um seriado) do que dormir oito horinhas. Mas enfim, a gente fala mais disso no vídeo, aproveitem pra comentar por lá também!

Esse vídeo conversa muito com esse aqui sobre “estar o tempo todo fazendo coisas” e a minha neura de produtividade. Sim, é um assunto recorrente na minha vida -não sei se felizmente ou infelizmente haha.

Se vocês quiserem sugerir temas pra gente conversar nos próximos vídeos, fiquem à vontade!

Beijos e até mais ;)

coracao

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Vai passar

Tem aquela hora que dói. Dói tanto que a possibilidade de superar parece inalcançável. Parece impossível parar de sentir aquilo tudo. É uma mistura de muita coisa, rejeição, culpa, arrependimento, impotência, raiva, saudade, tristeza, falta.

E se forçar a esquecer é ser tragada por uma espiral de memórias. Dói lembrar que alguém como ele existe no mundo, mas não mais na sua vida.

Você deseja nunca tê-lo conhecido. Você pula a música que ele te apresentou. Você pula outra música que ele te apresentou. Você tem certeza que não há ninguém tão interessante quanto ele. Você não vê graça em ninguém. Você se retrai quando escuta uma palavra que te lembra de uma piada interna de vocês dois. Você não dá mais nenhum sorrisinho quando chega mensagem, porque nunca é dele. Você oscila entre xeretar o perfil dele toda hora e apostar consigo mesma a passar 3 dias sem não olhar nada. Você chora. Você grita com a cabeça enfiada no travesseiro. Você diz que quem está perdendo é ele, mesmo. Você se pergunta o por quê. Você tem certeza que ele vai mudar de ideia. Você se pergunta se isso tudo teria sido diferente se você não tivesse feito aquela coisinha, naquele dia, daquele jeito. Você sabe que ele vai se tocar que você é essa pessoa incrível, e você vai estar aqui esperando. Você passa um dia inteiro ótima, pra no dia seguinte ficar tão lacônica que sua mãe te abraça e te faz cafuné sem nem perguntar o que está havendo. Você acha que não vai acabar nunca. Que aquela dor vai morar ali. Você tem certeza que ela vai morar ali.

superar

Mas não vai.

Um dia você vê ele online no Facebook e percebe que não está com vontade de abrir a janelinha. E que a música é mesmo gostosinha, e que ouví-la só te dá vontade de cantar junto. E que faz não sei quantas semanas que sua mente não te levou pra perto dele. E que faz não sei quanto tempo que você não se culpa por não ter agido de outro jeito. E que você é mesmo uma pessoa incrível, mas você não está mais ali esperando.

E você lembra das conversas, das piadas, das fotos, dos sonhos, dos planos. Você lembra inclusive daquela conversa, aquela em que você soube que estava apaixonada. Aquela que primeiro te fez ficar arrepiada pra depois te encher de pontadas. Aquela que fez doer mais que todas. E você lembra dela.

E não sente nada.

E quando seu celular vibra, e você vê que é uma mensagem dele, seu coração não rodopia. Sua mão não coça pra deslizar pra direita naquele segundo e ver o que ele te mandou. Depois, subitamente, você lembra que faz umas cinco horas que ele te escreveu e nem ler você leu. E você dá um sorrisinho.

Passou.

Não dói mais. Você tá bem. Não dói mais.

Você achou que ia doer pra sempre. Mas não doeu. Você achou que ia querer ele pra sempre. Mas você não quer. Você achou que só ele…. mas não existe só ele.

Passou.

E se não passou ainda, vai passar. Sempre vai passar.

E vai virar mais um pedacinho na colcha de memórias que é seu coração.

{ilustração da Natalie Foss}

coracao

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