Mulher pelada é um perigo!

Sou amiga dessa mocinha, a Isa Saldanha (lembram que fiz Quindim com ela? E ela deu dicas pra gente começar a cozinhar?), e a gente tem conversas incríveis sempre que nos encontramos. Um belo dia, ela deu a ideia da gente sentar e gravar uns vídeos da gente conversando sobre essas coisas. O resultado é um novo quadro que vai ao ar a cada 15 dias, no canal dela, o Fotografando à Mesa (maravilhoso, assinem!) e no meu, sobre temas diversos.

Pra começar com o pé na porta, falamos sobre o tabu do corpo feminino, inspiradas também por toda aquela polêmica do “Bela, recatada e do lar“. Porque a mulher pelada é um perigo? Porque nós mostrando partes do nosso corpo incomoda tanto?

Ah, sugere aí nos comentários um nome pro nosso quadro? ‘Gradecida <3

Espero que você tenha gostado do novo quadro e compartilhe a sua opinião com a gente! Quero muito saber o que você pensa sobre o assunto!

No canal da Isa a gente gravou sobre nossa adolescência e como foi ruim passar por ela!

Pode deixar sugestão de tema, também!

Mil beijos e até mais!

coracao

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Não sou (tão) fofa | Chez Noelle TV

Depois de um jejum de alguns meses, eis que voltei ao YouTube. A verdade, e vocês vão perceber pelo vídeo, imagino, é que eu não estava tão feliz com o conteúdo que eu estava produzindo, então “resolvi fazer algo diferente”, pra citar aquele meme da Luisa Marilac.
Eu quero levar muito mais do blog pro meu canal, mas vídeo é uma plataforma bem diferente pra mim, que escrevo desde muuito tempo atrás. Então óbvio que me expressar escrevendo é mais tranquilo do que falando.
Mas eu sei que vou me descobrindo ao longo desse caminho, especialmente com ajuda de vocês, leitoras e leitores tão maravilhosos. Portanto, qualquer crítica e sugestão é bem vinda (com amor, vai!) <3
Vamos ao vídeo! Como vocês perceberam pelo título, eu falo sobre o fato de todo mundo falar sobre eu ser… fofa!

Ah, e se inscreve no meu canal!

Espero que tenham gostado!

Bisous e até mais!

Foi o melhor dos tempos

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“It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness, it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity, it was the season of Light, it was the season of Darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair, we had everything before us, we had nothing before us, we were all going direct to Heaven, we were all going direct the other way” Charles Dickens, em “A Tale of Two Cities”

(Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos. Foi a idade da sabedoria, foi a idade da tolice. Foi a época da fé, foi a época da incredulidade. Foi a estação da luz, foi a estação das trevas. Foi a primavera da esperança, foi o inverno do desespero. Tínhamos tudo diante de nós, não havia nada antes de nós. Todos íamos direto para o céu, todos íamos direto para o outro lado)

Hoje me deu saudade. Essa viagem para a Ilha do Cardoso (na divisa de São Paulo com Paraná) aconteceu há mais de um ano, mas não sei ao certo porque nunca postei as fotos por aqui. Talvez por ter sido um momento catártico, e eu não saber muito bem lidar com isso. E querer deixar ele guardado só pra mim e pros meus amigos por um tempo. Foi em Novembro de 2014, e foi o melhor dos tempos, e o pior dos tempos. Lá, foi o melhor. Mas fora da Ilha do Cardoso, eu estava em pânico. Ansiosa. Sem saber pra onde ir. Sem saber o que fazer. Sem saber como me encontrar, de novo. Eu estava infeliz, e ir pra Ilha, com meus amigos mais maravilhosos do mundo e ter dias absolutamente incríveis, fez tudo ficar ainda pior. Porque foi quando eu me dei conta que estava indo pra um caminho completamente oposto do que realmente me fazia feliz na vida.

Fomos eu, David, Lucas, Babi, Tamara, Rafa Ciscati e Marina.

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Na Ilha, a gente era feliz com pouco. Bem pouco. O que fazia tudo ser legal era estar rodeada de pessoas que me amavam, independente da minha vida fora dali, era levar as coisas com mais calma, leveza, era acordar cedo, tomar café da manhã com pão caseiro e doce de leite, ir pra praia, ficar largada por horas no sol (inclusive ganhei marcas que não se foram nunca mais), almoçar no Val (Recanto do Marujá, chama o restaurante), com uma comidinha maravilhosa -melhor feijão- depois passear mais um pouco, beber catuaba, brincar com as crianças da Ilha, tomar banho com chuveiro de gás que me dava medo, logo, eu tomava gelado mesmo, todos os dias. Depois ir pro Bar do Beto, jogar sinuca e beber cerveja, que em era tão barata quanto a gente queria, mas era uma delícia e óbvio que eu não sou tão boa na sinuca quanto gostaria, mas me diverti como se fosse.

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Depois da sinuquinha, a gente ia pro Forró do lado do restaurante do Val, e nossa, quanto eu dancei nessa viagem não está escrito. Forró, sim, claro, mas também Fandango, que o pessoal da Ilha do Cardoso estava ensinando -e nosso guia, o Gerson, fez questão de ensinar pra gente e que eu juro que aprendi. Com algumas catuabas na cabeça, eu tinha certeza que sabia.

Todas as três noites que passamos lá foram assim. Puro deleite. Numa dessas noites, a galera que estava no Val quis continuar a festa na praia. Estava frio,  acenderam uma fogueira grande na areia e ficamos ao redor, enquanto o povo da banda de forró tocava e cantava.

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Deitados na areia, ouvindo uma musiquinha e olhando pra um céu lindo. Se eu fosse o tipo de pessoal que fala “vibes” (e derivados) sem ser pra ser engraçada, eu diria que aquela noite foi “muito vibe”.

amigos

Foi memorável.

Na volta, a ilha completamente sem energia (só funciona durante o dia), nós no escuro, tentando acertar o caminho até nossa pousada, lembro de termos encontrado desconhecidos no meio do caminho e nos agregado a eles -ou teria sido o contrário?, e depois a gente ficou pensando quão “receita de filme de terror” era aquilo tudo. Tem momentos que a gente simplesmente vive, sem precisar ficar pensando muito.

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 Teve também as trilhas. E a cachoeira. E andar no meio do rio sentindo o vento na cara misturado com a água e fazendo o cabelo voar loucamente pra todos os lados e você só respirando bem fundo aquele ar puro e olhando pra todas aquelas pessoas pensando em como gostaria de guardar elas e aquele momento pra sempre comigo, num potinho.

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Ali foi o começo de um fim. Foi quando eu me dei conta de que precisava mudar. Que eu estava sobrevivendo, não vivendo. Que aquilo, aquelas pessoas, aquela sensação, era o que eu queria todos os dias. Não o que eu estava chamando de vida.

Foi o ápice do meu desgosto com a vida. Com o que eu tinha me tornado. Ali, um belo dia, sentada vendo um belíssimo pôr-do-sol na beira do rio ao lado daquelas pessoas, eu decidi que não queria mais ser aquela Stephanie de antes. E que eu me dei conta de que o que eu achava que era meu sonho, que era o meu objetivo de vida, não me preenchia. Muito pelo contrário. Me esvaziava cada dia mais.

ilha do cardoso - 34Aqueles foram um dos melhores dias da minha vida.

Eles me botaram no caminho que eu estou trilhando hoje.

Às vezes só o que a gente precisa é isso. Sair da nossa rotina e nos rodearmos de pessoas que nos querem bem. Pra tudo voltar a fazer sentido de novo.

Pra você voltar aos trilhos. Pra você lembrar qual é mesmo o sentido da sua vida. Pra você lembrar o que te move, o que te faz feliz, qual é a sua verdade.

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 Olhando pra essas fotos, e lembrando de tudo isso, eu revivi todos aqueles sentimentos. Lá eu tive certeza. Certeza do que não queria mais. Mas era uma certeza, era um norte. Desde então eu tive poucas certezas. Dúvidas, por outro lado, foram incontáveis. Mas aquele norte continua aqui. Por mais que eu fique me perguntando como vou conseguir. Ou questionando se vou conseguir.

Lá na Ilha do Cardoso eu respirei. Eu fiquei calma. Eu diminuí o ritmo da minha vida ao máximo. Eu me dei o direito de não me preocupar com nada. Eu limpei a minha cabecinha que antes ficava a mil, e abri espaço pra outras coisas mais legais e importantes. Nem celular tinha, aliás. Quatro dias sem celular, e foi ótimo.

Tirei toda a bagagem que estava me atrapalhando. Todo o lixo que estava acumulado. Coloquei tudo pra fora e liberei espaço. Tirei algumas coisas que estavam ali há muito tempo, algumas coisas que me davam sustentação, ainda que não da maneira que eu queria, então não, não foi super simples, super tranquilo, super suave. Ainda não está sendo. Mas nenhuma mudança é. É ilusão achar que mudar de vida é um processo fácil. Ou rápido. Não é nada disso.

Mas ainda assim, é absolutamente valioso. E quando a gente sente que está, mesmo, indo pro caminho certo, é também recompensador.

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Tem mais foto aqui dentro!

A maioria são da Babi Carneiro e algumas outras são do Lucas <3

Me contem nos comentários se vocês quiserem saber infos práticas da Ilha do Cardoso, como pousada, como chegar, preços, etc, aí faço um post só disso :)

Continue lendo…

Gritar

Eu sinto como se eu estivesse gritando, só que pra dentro de mim. Por muito tempo eu achei que se eu não pensasse muito sobre o assunto, eu ficaria bem. Eu lidaria com isso sozinha. Eu me cuidaria sozinha. Eu queria ser forte assim, a ponto de conseguir curar todas as feridas que existem dentro de mim. Mas eu não sou. E eu acho que tudo bem não ser, mas ainda não me convenci disso. Eu queria mesmo ser forte o suficiente pra não me sentir desse jeito. Pra não me permitir me sentir desse jeito. Pra olhar pra mim mesma no espelho e dizer: você pode fazer isso sozinha. Você tem as rédeas da sua vida.

Hoje eu chorei e não soube o por quê. Senti como se tudo o que eu estava guardado dentro de mim finalmente transbordasse. E eu não pudesse mais esconder. Nem de mim, nem do mundo. Eu chorei, e chorei, e chorei. Muitas vezes chorar me deixa melhor. Como se eu lavasse a minha alma. Hoje não. Chorar foi só o começo. Foi tudo isso saindo pra fora e me dizendo que eu não posso mais continuar assim. Que talvez eu não esteja tão bem quanto eu gostaria de estar. Quanto eu tentava me convencer todos os dias que eu estava. Eu chorei porque estava triste. E não passou.

Não é um processo simples aceitar que a gente não consegue mandar na própria vida e na maneira que a gente se sente. Não é fácil pra mim aceitar minhas próprias vulnerabilidades. Minhas fraquezas. Eu queria ser forte. Eu queria ser muito forte.

Eu olho pras pessoas ao meu redor e tenho exemplos incríveis. Olho ao meu redor e vejo pessoas que eu tenho certeza que têm a rédea da própria vida. Eu tenho certeza, eu digo pra mim mesma.

E então eu olho pra minha própria. E imagino que muita gente deve pensar o mesmo de mim. Porque olhando de fora, tudo reluz. Tudo parece encaixadinho. Eu tenho o emprego, os amigos, a família, a casa, vocês, coisas legais me acontecendo. Alguns diriam que eu tenho tudo. Outros diriam que queriam ter a minha vida. Assim como eu digo que queria ter a vida de outro alguém. Eu realmente valorizo tudo isso que está aqui. Não é como se não fizesse diferença. Não é como se não me desse alegria e eu não sorrisse quando pensasse nessas coisas ou contasse sobre elas pra alguém.

gritar

Mas então eu olho pra tudo isso e não consigo. Eu não consigo me sentir bem. Eu não consigo sentir que é isso. Eu não consigo olhar pra todas essas coisas muito legais e ficar tranquila comigo. Serena. Eu não consigo não me sentir uma fraude. Sentir que deveria estar fazendo mais. Sentir que tem algo me impedindo de voar. Eu só consigo sentir que está tudo uma bagunça, que eu estou em constante estado de “correndo atrás de algo que eu não sei direito o que é”. Correndo atrás de ser alguém que eu já fui, mas que hoje sou só uma sombra daquilo.

Eu sinto que vou gritar, mesmo tendo pessoas pra me ouvir. Eu vou gritar porque cansei de racionalizar. Eu quero ser visceral. Eu quero ser instinto. Eu não quero mais racionalizar. Tentar ver o sentido nas coisas. Tentar entender. Eu quero só deixar sair.

Quem sabe quando tudo isso estiver pra fora, eu consiga finalmente olhar. Olhar e aceitar que existe. E que está ali. E que me incomoda. E que me atrapalha.

Talvez, quando tudo estiver pra fora, e eu não tiver mais saída senão encarar de frente, eu encontre a resposta. Ela deve estar no meio da bagunça toda.

coracao

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Santa

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Eu não queria deixar pra escrever essas coisas quando a Vó não estivesse mais aqui. Não queria que fosse uma homenagem póstuma, porque tudo o que é póstumo só serve mesmo pra gente tentar acalmar o coração, tentar preencher aquele vazio da perda que teima em palpitar no peito. Não, eu queria que a senhora soubesse. Ouvisse. Que alguém contasse que a Stephanie escreveu sobre a senhora.

A Vó nunca foi só minha. Foi minha e de mais de 40 netos. E mais um monte de bisnetos. Sempre dividi a senhora, e ainda assim, nunca me senti deixada de lado. Sempre oferecia bombom (Ouro Branco ou Sonho de Valsa) e biscoito de polvilho, pra mim e pra todos os outros, isso é verdade. Ah, e bisnaguinha, também.

Mas a senhora fazia questão querer saber tudo. E esse batom? E essa roupa? Que chique, hein! Onde você tá morando? Quem são esses meninos? Você me desculpa de perguntar, Stephanie, mas…. A Vó fazia questão de querer saber mais. E sempre ria quando eu falava alguma barbaridade. Mas acho que no fundo a senhora gosta de ver que eu não faço cerimônia pra falar o que eu penso.

Foi a Vó quem me ensinou a trabalhar. Que me chamou pra ir aos sábados ajudar a limpar a casa, ir ao mercado e fazer o almoço. 11h tinha que estar tudo pronto na mesa, e a gente sentava, eu, a senhora, e Vô Angelo, pra comer macarrão. Ou, quando a senhora deixava, as minhas panquecas recheadas com carne moída. E algumas vezes no ano a gente fazia frigideiras e mais frigideiras de grostoli, que o Vô adorava.

Mangiare que te fa bene“, a Vó falava.

E a gente comia.

Eu tinha o quê, 12 anos? Eu lembro de abrir o guarda-roupa e vestir os seus casacos compriiiidos, porque eu via na televisão um programa em que as meninas usavam casacos longos, e eu achava o máximo. A Vó ria e falava: “Mas esse casaco velho?”. A senhora não entendia as minhas brincadeiras, não entendia o mundo de fantasia que eu criava quando estava lá, mas não me impedia de nada. Achava graça no fato de eu gostar de mexer nas coisas velhas, nas fotos, nas gavetas, nos perfumes com cheiro de vó.
E toda vez que eu dizia que gostava de alguma coisa, fatalmente eu ouvia “quando eu morrer pode ficar pra você”, e eu rapidinho afastava esse pensamento da minha cabeça. Eu sei que a senhora brigava comigo. Mas eu não lembro de nenhuma das vezes. Acho que era porque às vezes eu ficava entretida vendo televisão ao invés de varrer a frente. Ou quando eu respondia meu pai ou minha mãe. Eu sempre fui meio respondona, né Vó?

Eu disse pra Vó esperar eu casar pra ir pro céu. Que eu só casaria se a senhora estivesse lá. “Isso Deus é quem sabe”, a senhora me falou. “Então pode conversar aí com ele, porque se quiser que eu case um dia, só se a senhora estiver lá”. Eu sei, eu sei, agora eu não namoro mais, né Vó. E quando contei, a senhora foi tão bonitinha, dizendo que se eu podia fazer o que meu coração tava mandando, então que fizesse.
A senhora me contou vários segredos. Me contou quem foi a Santa Modena antes de ser Santa Bordignon. A que ia nos bailes. Que cuidava dos irmãos e costurava com as irmãs. Que se apaixonou…

A senhora tem quase 90, mas sabe que nunca a enxerguei como uma senhorinha tão de idade? Só ia percebendo porque a senhora tava andando cada vez mais curvadinha, mas o seu jeito, o seu riso solto e a sua curiosidade continuavam os mesmos.

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As pessoas ficavam tentando me convencer de que a senhora não ia entender o que eu falava. “Ah, você trabalha com internet. Ela não sabe o que é isso”. A Vó respondia “Sei sim, é aquilo que os meninos mexem quando tão no computador, não?”. Isso, Vó, responde. Nunca entendi essa mania das pessoas acharem que a senhora “não ia entender nada”. A senhora entende tudo. E se não entende, tenta. Faz pergunta, se interessa, conversa, conversa, conversa. Tão bom conversar com a senhora.
Com aquele cafézinho, ainda.
“A Stephanie é mesmo Bordignon, Lurdes. Cê já viu quanto café ela toma?”. Pois é, Vó, não tem como negar. O gosto pelo café, a bochecha grande e a sobrancelha grossa denunciam que eu sou bem filha do meu pai e neta da Dona Santa.

A Vó não é perfeita. A gente não concorda em tudo. Mas a senhora não é cabeça dura. E mesmo do alto dos seus quase 90 anos, eu sei que a senhora já pediu muitas desculpas e mudou muito de ideia, principalmente nos últimos tempos.

A Vó tem 13 filhos e acho que nunca falei o quanto eu admiro a força que a senhora teve esses anos todos. Só muita força e serenidade mesmo pra aguentar esses Bordignon, hein Vó! Por mais que eu não concordasse com tudo. Por mais que alguns dos princípios da senhora fossem diferentes dos meus. Que a crença da Vó fosse de encontro com a minha crença. Eu a respeito muito, porque a senhora viveu de acordo com os princípios que acreditava. E eu vivo de acordo com o que acredito. E eu sei que a senhora nunca fez nada por mal. Querendo ver as pessoas infelizes. Muito pelo contrário. A Vó sempre quis a felicidade na família, eu sei.

Os últimos anos não foram fáceis, né Vó? Parece que a cada burrada que os filhos faziam, a Senhora envelhecia um pouquinho mais. Encurvava um pouquinho mais. E eu tenho certeza que se a Vó pudesse, a senhora pegaria com as próprias mãos os erros de cada um dos seus 13 filhos e carregaria esse fardo sozinha. Sabe que eu acho que foi isso mesmo que a senhora fez?

Da próxima vez que eu te ver, vou contar que sempre achei engraçado a senhora chamar Santa. Nunca perguntei como é ter um nome assim, tão forte, tão impositivo, tão cheio de significados, mas sempre quis saber.

Santa, Santina, Dona Santa, Vó.

Nunca vovó. Sempre Vó.

A Vó me ensinou tanto e eu acho que nunca agradeci. Sempre carinhosa comigo, mas não de um jeito “vó de filme”, mas sempre com vontade de prosear, sempre com uma coisa pra contar que começava com “não vai falar que eu falei, mas…”, e eu nunca disse o quanto isso é importante pra mim. O quanto foi importante. A Vó me pedia pra ler a Bíblia, de noite, pra senhora e pro Vô Angelo, e eu me sentia muito especial. É, Vó. A senhora sempre fez com que eu me sentisse especial. A senhora me via. Me ouvia. A senhora estava lá quando eu estava lá. Brigada por isso. Brigada por tudo.

Mas tem uma coisa que eu queria pedir Vó, por favor. Não põe tanto açúcar no café, porque fica muito doce.

Com todo o amor do mundo,

Sua neta Stephanie.

{fotos da Babi, para a Juno}

coracao

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