Fogo

Descobri que não sei ser devagar. Que não sei ir aos poucos, que não sei ir com calma.
Ou é tudo, ou é nada. Não existe meio termo pra mim.
Mas não é sempre. Quando eu não sinto, não há meios de.
Ou existe brasa desde o começo, ou nunca vai virar incêndio.
She’s mad, but she’s magic. There’s no lie in her fire” (ela é louca, mas ela é mágica. Não há mentira no seu fogo), escreveu Bukowski.
Me perguntei se era louca esses dias.
É possível sentir tanto e sentir tão intensamente assim?
Seria eu carente? Seria eu uma doida que fica sentindo coisas do nada por pessoas que conheceu há tão pouco tempo?
Penso um pouco na resposta. “Não me importo”.
Por que raios eu preciso me adequar ao que as pessoas esperam de mim, ao que outras pessoas esperam de relações, se eu não estarei me doando por inteira? Se eu não vou estar sendo verdadeira?

“Verdade”.
Essa palavrinha que todo mundo acha linda, mas que nós todos temos medo.
Todos querem ser verdadeiros, mas é preciso coragem.
Dói abrir mão do orgulho, dói abrir mão do poder.
Mas do que adianta estar por cima, sair por cima, se o que você realmente quer é a outra pessoa ao seu lado?
Pega esse poder todo e enfia ralo abaixo. Não serve de nada.
Esse poder não vai me dar beijinho, não vai me abraçar quando eu estiver com frio ou me fazer rir quando eu só quiser chorar.
De nada adianta esse poder calcado num jogo de quem demonstra menos.

Ganhei“. Grande coisa.
Dorme abraçado com essa vitória pra ver se é gostoso.
Diquinha: não é.

Por que o que você quer mesmo é ver a guarda abaixada. O olhar. A frase. O jeito. O sinal. De que mostra que a pessoa do outro lado também quer o que você quer.
Você não quer o poder. Você, no fundo, não quer ganhar. Você só quer estar com ela ali, ao seu ladinho, de mãos dadas.

Mas no fim só fica você e o seu joguinho. Boa sorte jogando ele sozinho.

Eu não consigo ser pouco, eu não consigo mentir por muito tempo, eu não consigo ignorar meus próprios sentimentos. Eu posso até tentar, mas dói. Eu posso até tentar me convencer de que ter poder, de que sair por cima é daorinha, mas dura pouco.
Dentro de mim acontece um incêndio.
Eu me esforço. E queima. E me consome. E não me deixa dormir. E não me dá sossego.

Aceita, menina.
Aceita que você é assim.
Aceita que pra você só funciona se for assim, sentindo tudo.
Aceita que superficialidade nunca foi muito a sua pegada. Aceita que pode sim doer. Que pode sim queimar tudão. Que talvez, mais uma vez, dentre tantas outras, a outra pessoa não vai estar pronta. Preparada. Querendo, mesmo. Tudo bem, é a vida. Mas você nunca vai saber se você não deixar tudo isso sair pra fora.

Você vai guardar pra quê?
Da vida não se leva nada, exceto as memórias e experiências.
Que grande baú o seu intitulado “histórias que poderiam ter sido, mas não foram“.
Eu não.
Prefiro “histórias que vivi. Sofri, chorei, amei, sorri”.

Olha bem pra você. Agora pro seu celular. Estamos evitando falar com quem a gente gosta e perdendo tempo com quem não nos interessa. Porque não queremos demonstrar. Porque não queremos perder. Mas no fim do dia vai todo mundo pra cama triste e frustrado porque queria ter feito. Queria ter dito. Queria ter demonstrado. Queria ter sido verdadeiro.
O outro lado talvez sinta a mesma coisa. Ou não.
E se não sentir, porque insistir?

tudo bem ser trouxa

Eu decidi deixar queimar.
E ser verdadeira com tudo o que eu sinto.
Eu posso não entender nada.
Na maioria das vezes eu não entendo. Eu me pergunto “por que”, mas eu não chego a nenhuma conclusão.
O que eu entendo é o frio na barriga, a mãozinha tremendo, o olhinho brilhando, o corpo todo pedindo por aquela pessoa. E eu entendo direitinho quão bom é quando você está ao lado dela. Não precisa de respostas, precisa de sensações. E tem.

Não vou nunca mais abrir mão de sentir isso. De me deixar sentir isso, por inteiro.

Ai, mas vai assustar. Ai, mas vou parecer louca. Ai, mas vou ser trouxa.

Deixa o outro.
Vamos deixar cada um cuidar da sua vidinha e das suas sensações.

Se se assustar, azar dele ou dela.
Vai mesmo querer ficar com alguém que se assusta com coisa boa?

Se te achar louca, sorte a sua.
Já sabe que essa pessoa não vai caber no roteiro da sua vida.

Por que temos tanto medo de perder alguém que nunca nem foi nosso? Que esteve por inteiro ao nosso lado?

E viva o trouxismo. Se ser trouxa é não deixar de tentar ser feliz, pode me dar aí a carteirinha do Clube dos Trouxas, porque tô dentro.

Fico pensando nas horas que perdemos todos os dias decidindo se mandamos aquela mensagem.
Pra no fim não mandar.
E terminar o dia com o peito apertado. E acordar sem mensagem contando uma coisa tão legal que você vai abrir sorriso mesmo o relógio marcando 6h20.
É isso mesmo que a gente quer?
Uma sucessão de dias e noites que poderiam ter sido, mas não foram?
Uma história mal acabada, com quase clímax, com quase que a gente deu certo, com quase fomos felizes, mas no fim…

Eu sou toda intensidade.
Quer? Quer.
Não quer, passar bem.

Porque eu quero que todo mundo seja feliz, mas principalmente eu mesma. E só vou conseguir ser feliz com alguém se eu puder ser todinha eu. Com intensidade, com verdade, com dancinhas fora de hora e piadas que não têm nenhuma graça.

Sejamos por inteiro.
Nada menos que isso.

Cê quer amar menos? Cê quer se segurar? Cê quer mentir sobre o que cê tá sentindo?

Eu não.

Então vou ser inteira eu.
Não há mentira no meu fogo.

{A arte do post é de Steven Quinn}

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Claro que deu certo

Dizem por aí que se acabou, não deu certo. Compartilham nas redes imagens dizendo “um dia alguém entrará na sua vida e te fará entender porque nunca deu certo com ninguém antes“, que fazem as pessoas ficarem mais tranquilas com a ideia de que a pessoa certa está por aí, em algum canto, esperando pra ser esbarrada por você, tal qual num filme bem clichê, derrubando uns livros, os olhares se cruzando, as mãos encostando despretensiosamente uma na outra, e aquele frio na barriga imediato.

“Isso, essa é a pessoa. Encontrei o amor da minha vida. É por isso que não deu certo com nenhuma outra antes”.

Claro que deu certo. O fim não significa que deu tudo errado. Ou um pouco errado. O fim não invalida a história que veio antes. O fim é apenas um fim, de uma história que teve um começo e um meio. Não foi menos história, menos amor, menos certo.

deu certo

Quão cruel é olhar pra tudo o que se viveu antes, pra todas as histórias, todas as pessoas que fizeram parte da sua narrativa como se fossem “erros”. Tudo bem, talvez não erros. Mas tentativas frustradas que não resultaram no que queríamos. Que não deram certo. Que não foram nosso parzinho nessa coisa de “feliz pra sempre”.

Acontece que nos disseram que existe uma pessoa. E uma história. E essa história, antes de ter escrito “fim”, vem com um “e viveram felizes para sempre”. Uma pessoa só, e uma única história, veja bem.

Todo mundo que passou na nossa vida e ficou tempo suficiente pra deixar uma marca é importante. E se nos fez feliz, claro que deu certo.

Não seria esse o objetivo maior ao estar ao lado de alguém? Ser feliz com ela? Por que então agimos como se isso não bastasse, que tem que ter o pra sempre, a história única sem algumas paradas no meio do caminho?

Às vezes sinto que a gente esquece de viver o presente com alguém que nos faz feliz porque não conseguimos tirar os olhos do que virá a seguir. Será que essa pessoa é a certa? É a que vai ficar comigo até o fim dos dias? Que quer exatamente as mesmas coisas que eu, portanto nada vai nos atrapalhar? Talvez não. Talvez essa pessoa queira outras coisas pro futuro. Ou se apaixone novamente por outra pessoa. Ou queira ter filhos. Ou queira morar no interior e você quer ficar pra sempre na cidade grande. Mas te faz feliz no agora. Por que isso não é o suficiente?

A ideia do pra sempre e de uma pessoa com quem vai dar certo é como um cobertor quentinho que nos protege do frio assombroso que faz lá fora. Ficamos aterrorizados com a ideia de estarmos sozinhos, no fim das contas. E ver o fim de uma história com alguém nos tira do conforto do nosso cobertor e nos joga no frio, mais uma vez. E ficamos buscando outro cobertor pra nos enrolarmos e voltarmos pra segurança, pra ideia de que nunca mais vamos sentir frio de novo. Porque achamos que precisamos desse cobertor pra sermos felizes.

Dizem que “não deu certo” porque buscar outro cobertor é exaustivo. E estar sem cobertor é horrível.

Mas não deveria ser. Não deveria ser uma busca e não deveria ser ruim estar consigo mesmo, e mais ninguém.

Deveríamos estar preparados pra isso. Pra estarmos sozinhos e bem. E protegidos do frio. Pra viver nossa vida não como a busca incessante e por vezes exaustiva e frustrada de alguém com quem vamos dar certo, mas como uma sucessão de histórias que acontecem uma após a outra e nos deixam com boas lembranças. Que acontecem quando a gente menos espera, e que do nada a gente percebe que aquela pessoa pode ser um cobertor. E não importa se é pra sempre ou por muito menos tempo do que isso. O que deveria importar não é o tempo que as coisas duram em nossa vida, mas quão bem elas nos fazem e quão felizes elas nos deixam.

A insistência de que devemos achar alguém, que estar solteiro é um fardo, que temos que insistir loucamente em algo que não faz mais sentido simplesmente pra que não acabe, só nos faz entrar ou continuar em relações ruins, com pessoas que não tocam a nossa alma e que não fazem questão de estar ali, mas estão, afinal, “melhor do que ficar sozinho”. Que erro.

deu certo2

Pessoas são pessoas, não árvores. Mudanças vão acontecer. Seja de vida, seja de filosofia, seja simplesmente geográfica. E cada uma dessas pessoas muda de um jeito, e tudo bem. Essa é a beleza, né? Evoluir, experimentar, inventar. Por que seria diferente nas relações? Por que seria ruim nas relações? Pessoas decidem não ficar mais juntas umas das outras porque mudam. Porque o sentimento muda. E isso não deveria, jamais, invalidar tudo o que veio antes.

Eu sei que nos disseram que havia apenas uma história e um final feliz. Mas a gente pode reescrever isso. E termos várias histórias, com vários finais, alguns mais felizes do que outros.

Foi eterno enquanto durou, disse o poeta. Foi lindo, foi incrível, foi especial. Foi amor. E deu certo, sim.

(as imagens desse post são de autoria de Geoff McFetridge)

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Na minha vida #31: um mês longe

Eu fiquei praticamente um mês em Mogi Mirim, graças a minha garganta. Fiquei doente de novo, uma semana antes de fazer a cirurgia das amígdalas, o que resultou em adiar a cirurgia, internar de novo, ficar uma semana tomando antibiótico + cirurgia depois, mais recuperação, mais antibiótico. Maio foi um mês praticamente perdido, exceto pela companhia maravilhosa da minha mãe, minha vovó e meu migo Matheus. Mentira, tiveram outras duas coisas muito importantes nesses dias que fiquei lá: café do Inverno D’Itália e milk-shake de leite ninho do Chiquinho <3 Amores eternos e verdadeiros.

Fora isso, passei dias em casa, vendo Netflix, falando por horas com os amigos que aqui ficaram, recebendo ligações de FaceTime durante festas que eu deveria estar, e esperando. Foram dias muito solitários, e eu entrei na bad algumas vezes. Bizarro como estar longe de algumas das pessoas que eu mais amo me deixa tão sensível. Parecia que eu tinha deixado aqui meu alicerce, e lá eu ficava cambaleando, tentando ficar retinha sem cair, longe dos meus amigos.

meu deus do céu meu deus do céu 💙 matando a saudade do amor da minha vida #stella {+ no snap cheznoelle}

Uma foto publicada por stephanie noelle (@chez_noelle) em

Mas pensei muito, também. Nossa, quanto que eu pensei. Tomei algumas decisões, ouvi algumas coisas que não queria ter ouvido, mas foi bom. Voltei pra São Paulo renovada, com a alma prontinha pra viver coisas novas, pra experimentar, pra viver mais. Os últimos meses foram bem difíceis pra mim, e eu sentia que estava sempre triste, sempre com algo mal resolvido ora na minha cabeça, ora no meu coração. Voltei sem sentir nada disso e foi ótimo, tipo folha em branco prontinha pra encher de história.

  essa vista, esse gin tônica, essa cidade 🌃💙   Uma foto publicada por stephanie noelle (@chez_noelle) em

E tem sido assim os últimos dias. Tenho estado ocupada vivendo, conhecendo muita gente legal, me aproximando de gente que eu já conhecia e percebendo que não posso mais ficar um dia sem elas. Tenho estado tão feliz que do nada começo a dançar pela casa, a cantar sem ligar se tem alguém ouvindo, rindo até a barriga doer, inventando memes com os amigos e errando e acertando e errando e acertando. Fazia um tempão que não me sentia assim. E como é boa essa sensação. Bem vinda de volta.

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coracaoAssistindo FINALMENTE terminei a quarta temporada de “House of Cards” com o Simon. Demoramos porque combinamos que íamos ver juntos, daí ele viajou, depois eu fui pra Mogi e enfim. Mas ambos fomos leais e não vimos nem um mísero episódio sem o outro. Em Mogi também vi numa tacada só as duas temporadas que faltavam de “Orange is The New Black” e já posso me considerar parte da patota por estar ansiosa pela quarta, que estreia sexta? Acho que sim, né? E aí comecei a ver “True Detective”, que meu amigo Mat me emprestou e ficou fazendo a maior propaganda da história -e ele não gasta elogio à toa- e dei mais uma chance pra Jessica Jones, que tinha enjoado no terceiro episódio. Agora já estou amando e passei da metade. Eita que eu rendi esses tempos, né?

coracaoLendo Relendo “O Filho de Mil Homens”, porque sinceramente é o melhor livro que li nos últimos tempos e eu estava precisando sentir um pouco de amor nem que fosse através de um livro. Funcionou <3

coracaoOuvindo Praticamente nada além da minha playlist “Catorze”. Estou viciada demais e daqui a pouco passa haha. Mas me segue lá no Spotify (ou no snap: cheznoelle) que eu coloco sempre o que tô ouvindo nessa playlist aqui debaixo, chamada “Ouvindo muito mesmo”.

coracaoAnsiosa para Colocar algumas ideias em prática e também voltar pra academia. Parece ridículo falar assim, mas depois de dois meses sem ir -por causa da doença e da cirurgia, que pede pra eu ficar sem esforço físico por 30 dias depois-  eu tô sentindo muita falta. Do cansaço, do suorzinho bom, da minha perna durinha hahaha.

todas as meias do mundo deviam ter paetês ✨

Uma foto publicada por stephanie noelle (@chez_noelle) em

coracao Feliz por Ter voltado, estar saindo um montão com meus amigos e estar tão rodeada de gente especial, que quer o meu bem, que faz questão de estar na minha vida e me mostra isso.

coracaoEscrevi esses dias

Quebrando o ciclo: Sobre o caso Biel, o caso Brock Turner e seus pais que passam a mão na cabeça dos filhos e corroboram pra esse comportamento machista que leva a assédio, abuso e estupro.

Playlist de fossa: Autoexplicativo, vai!

Do meu jeitinho: Minha obsessão por jaqueta jeans e patches virou um post. Só me falta achar a jaqueta!

Com a benção de Beyoncé: Três novos nomes da música que são muito bons e foram escolhidos por Beyoncé pra assinarem com a sua própria gravadora. Todas mulheres! “Drop”, de Chloe X Halle, aliás, tá na minha playlist “ouvindo muito mesmo”.

Por um feed mais belo: Listei as contas do Instagram de fotógrafos brasileiros que eu mais amo. Tem a Pryscilla, que fez as minhas fotos, e mais um monte de gente boa, algumas inclusive amigas e amigos <3

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Mergulhei, sim.

Não lembro de ter sofrido de amor assim.
Tive uma vida curta de amores.
Não amei de menos, claro que não. Amei muito. Amei mais do que muita gente talvez tenha a sorte de amar. Amei com todo o meu ser, com todo o meu coração, e com todas as pintinhas que passeiam pelas minhas costas.
Mas foram poucas as pessoas que já me deixaram assim. Amando.
E é a primeira vez que eu amo quem não me ama.
Não é um assunto novo, eu sei. A vida inteira li e vi histórias de pessoas e seus amores não correspondidos.
Só não havia acontecido comigo antes.
De algum modo, eu sabia que passaria por isso.
Tem coisas que a gente sente que vai viver.
Tem coisas que a gente sabe que precisa passar, porque faz parte dessa mágica chamada vida.
Eu ainda não havia sofrido por amor e sabia que um dia passaria por isso.
Não sabia que seria por você.
Não imaginava. Não fazia ideia. Nem desconfiava.
Mas no momento em que me dei conta de que estava te amando, soube que seria você a me fazer sofrer.
Não havia nada que me fizesse pensar o contrário.
Eu nunca tive certeza de nada, só dúvidas. Um mar de interrogações na minha frente.
O seu olhar, o seu sorriso sacana, o jeito que você ficava me olhando um tempo sem falar nada pra em seguida desviar meio constrangido. O caminho que seu rosto percorria enquanto eu falava, me medindo debaixo pra cima, sem nem se importar em ser discreto. Era parte do charme ou fazia sentido eu ir dormir pensando em todas essas coisas?

mergulhei

Saí da terra firme e mergulhei nele.
De qualquer maneira, eu mergulharia nesse mar. É da minha natureza querer viver tudo, seja dor, seja alegria. Eu mergulhei na água fria e escura desse mar desconhecido, mesmo sabendo que era perigo.
Mergulhei sabendo que não haveria um mísero bote salva vidas pra eu me agarrar. Mergulhei mesmo depois de ler o aviso de “Perigo“. Eu queria sentir como era estar apaixonada por você.

O meu amor nasceu condenado. Queria dizer: o nosso amor nasceu condenado. Seria romântico. Seria uma coisa meio Romeu e Julieta. Ao menos seria alguma coisa. Clichê, mas algo. Mas não existe nós. Não existe nosso. Nunca existiu um nós.
Só eu, esse amor e essa dor. E você, do outro lado da rua, vivendo a sua vida, sem eu estar nela.

{esse texto foi escrito no começo do ano, mas esperei pra compartilhar por aqui por que precisava que isso cicatrizasse completamente}

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Catorze

Minha adolescência, assim como a da maioria das pessoas, não foi fácil. Dos 12 em diante a vida se tornou uma montanha russa de emoções, um poço que parecia não ter fundo e chateações que tomavam proporções inimagináveis. Era tudo tão intenso, tão forte, tão novo. Tudo tão difícil, mesmo podendo ser mais simples. Mas não era. Porque adolescentes não são simples. Adolescentes não sabem ser fáceis. Adolescentes só sabem sentir, a coisa de pensar racionalmente só vem um tempão depois. Eu, aliás, já escrevi aqui tudo o que eu queria ter falado para a Té adolescente pra ter tornado as coisas um pouquinho menos tensas.

musicas adolescencia

E essa semana, sei lá porque, me lembrei de uma música que me marcou muito na adolescência. Eu só lembrava da melodia e não havia meio de lembrar a letra ou que raio de música era. Quando Hugo chegou em casa, fiquei fazendo o “na na na” pra ele e ele decifrou: “I Miss You“, do Blink 182. Não só ele. Eu postei no snap (me segue lá? é cheznoelle) e um monte de gente chutou que fosse essa mesma.
Vim correndo ouvir a tal música e foi como se eu me transportasse para aqueles dias de adolescência. Em que tudo era tão intenso, doído, forte, pesado até. E me lembrei de várias outras que serviram de pano de fundo para essa sensação de “alma incompreendida“, pra esse montão de emoções que olhando hoje parecem não fazer sentido, mas que faziam muito na época e até me orgulho de ter sentido. Fui ouvindo uma, depois outra, depois outra, e foi tão… gostoso.
Pois é. Não foi triste. Não senti saudades (até porque não foi uma época GOSTOSA, não vou mentir pra vocês, e não sinto um pingo de falta), mas foi como se eu tivesse me teletransportado pra hora do recreio da minha escola e tivesse vendo eu mesma adolescente. E aí eu chegasse em mim mesma e falasse: miga, que caminho que a gente percorreu, hein? Me dá aqui um abraço e vamos dividir esse fone de ouvido juntas. Aliás, gravei um vídeo com a Isa falando sobre essa época chata da adolescência e você pode ver clicando aqui.

Foi uma viagem bem maneira ouvir todas essas músicas, relembrar, redescobrir, cavar as memórias, e acabei montando uma playlist bem especial pra mim. Mas que pode ser também especial pra muita gente que foi adolescente nos anos 2000. É essa aqui embaixo, chamada “Catorze” e é meu xodó <3

Falando com meu migo Matheus, que me ajudou a relembrar algumas das músicas, a gente ficou pirando sobre como foi foda ter essa trilha sonora que traduzia tudo o que a gente tava sentindo.
Sério, que delícia que era cantar a plenos pulmões os refrões de Linkin Park, Evanescence, Blink 182, CPM 22, Charlie Brown Jr, Green Day, Avril, Slipknot e mais um monte de bandas que eu apelidei, junto com outro migo, o Fê do Fotografando à Mesa, de rock sofrência.
Eu não faço a menor ideia de como é ser adolescente hoje, mas foi bom ser adolescente nos 2000 e poder contar com essas letras todas pra dizer o que eu sentia, pra expurgar aquilo tudo que ficava preso no peito.

Foi ainda mais legal compartilhar essa playlist no snap -eu sempre mostro lá o que eu tô ouvindo, aliás- e no twitter e ver que tanta gente se sentiu do mesmo jeitinho, viajou no tempo e entrou nessa pira comigo. Por isso achei que valia dividir por aqui também. Se você curtiu, segue a playlist (ou meu usuário lá no spotify, que é cheznoelle também) :)

Então tá! Me contem se vocês gostaram ou se vocês ouviam coisas completamente diferentes!

Beijos e tchau :)

coracao

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