Daí que eu queria ser diplomata, achei que não me faria feliz e optei pelo Jornalismo.
Então fui pro Jornalismo de Moda, assim, com primeira letra em maiúscula, o temido e glamuroso mundo da moda, igualzinho ao filme da Meryl Streep e Anne Hathaway, Cláudia. Acontece que eu amo um jornalismo de moda que quase não existe. Não amo as tendências, o ‘tem-que-ter’, o como usar. Eu amo a moda como sociologia, como expressão e comunicação do indivíduo, ou de uma sociedade, ou de uma época. Eu gosto de pesquisar. Eu gosto de ler, e escrever, que o fetiche tá na moda e POR QUE. Como, quando, onde, o que isso significa, ou se não significa nada. Quero saber, e quero que as pessoas saibam, que a maioria das coisas existem por um motivo.
Odeio ler uma revista/site/blog e a moral da história ser ‘Então, na moda a gente meio que tem uma ‘mão invisível’ também, tipo aquela que Adam Smith propôs pra Economia, então é assim e ponto’. Não, não quero que seja assim. Isso é fútil. Isso é não dar a menor pelota pelo mundo que nos rodeia e o que ele influencia na moda e o que a moda influencia nele. Isso é ser superficial.
Dizer “o color blocking tá na moda, e se você quiser estar um passo a frente, aposte” é vazio. “Um passo a frente” no que? Na escala evolutiva darwiniana da moda? Ou só vai fazer aquela pobre pessoa que lê e acredita piamente naquilo vestir uma blusa verde e uma saia rosa e achar que é melhor do que alguém, que está um passo a frente.
Eu sempre achei que moda é uma espécie de jogo de cartas. A cada temporada, você tem coisas que fazem mais sentido naquela época, por algum motivo (e não pela mão invisível das editoras de moda), e aí você, que é influenciado pelo mundo – e pela moda – vai usar algumas dessas cartas para montar seu jogo, ou seja, pra expressar sua personalidade. Vai escolher coisas que fazem sentido na vida, e não simplesmente coisas que estão na moda, ai meu deus, preciso ter.
Nessa última temporada de moda, a roupa era a mesma, só mudava o rosto. Porque até a cabeça é igual, porque quase todo mundo é igual e pensa e fala das mesmas coisas sempre. Era tipo aquelas bonequinhas de papel, de vestir. Recortaram umas três dúzias de looks iguais e o povo grudou em si mesmo.
E isso é um reflexo de como anda toda nossa mídia de moda, blogs e sites inclusos, que só joga o modelo pronto para os seus ávidos leitores, que claro, querem a fórmula pronta. É triste para mim, quando a gente publica uma matéria incrível no FFW, com conteúdo, e nego se interessa mais pela matéria das tendências-tem-que-ter da estação. Eu sei, porque eu vejo os cliques, as visualizações de página.
O povo quer que a gente diga exatamente como ele tem que se vestir (e se portar, e ser, e ouvir), ali, a fórmulinha pronta, para que nem ele, e nem quem escrever, tenha que pensar muito. Ele quer ser igual a celebridade que usou aquilo, ou ao “ícone de estilo” que usou, ou igual ao desfile. Chego à conclusão que hoje a audiência de moda quer mesmo é ser igual.
Ouço sempre dizer que, na moda, não é o que você usa, mas como você usa. Sinto dizer, mão invisível do universo da moda, mas a mensagem tá chegando truncada aqui nesses lados.
As imagens são pra moda, e pra vida, sempre :)





