Acho interessante como alguns grupos adoram atacar a moda pelo seu teor “ditador”, “opressor”, pela importância demasiada com a aparência, esse tipo de coisa. Como se “ok, a gente não pode falar que é algo fútil, já que emprega uma pancada de pessoas, movimenta a economia pra caramba e todo mundo tem que se vestir mesmo, mas já se importar com isso é outra história, porque a moda existe desde seu começo como forma de diferenciação social, e é assim até hoje” (maior aspas de pensamento inventado ever).
Muitas vezes, quando alguém quer tentar me convencer que o que eu amo e o ambiente no qual eu estou inserida é menos “nobre” do que outros, geralmente o argumento usado é esse, que afinal, é um mundo em que as pessoas se importam mais com a aparência do que com, sei lá, QI ou a pobreza.
Quem convive comigo sabe que eu procuro andar sempre muito arrumadinha, de sapatinho alto, batom vermelho, essas coisas. E eu sou assim no dia a dia mesmo. E por isso eu vou assim pra faculdade.
E calhou que nesse semestre estou tendo aulas só na FFLCH, onde “dizem” que a última preocupação da vida é a roupa, a moda, essas coisas. Tá cheio de estudantes de história, letras, ciências sociais, que querem mesmo e estudar. Só que não é bem assim. Estando no ambiente com mais frequência, a gente vai catando umas coisas né? (assim, usando a fflch para analisar o todo)
Como por exemplo, que quase todo mundo me olha torto quando eu entro no prédio com meu salto téc-téc, minha boca vermelha, meu ‘look do dia’. Na aula, na hora de fazer um comentário, rola aqueles olhares enviesados ou de desdém que dizem “pfff, o que essa menina tá fazendo aqui?”.
E duvido que isso seja mérito só meu. Acredito que isso aconteça com muita gente por aí que por motivo x ou y resolveu se preocupar 5 minutos a mais com o que ia vestir pra sair pro mundo. Tanto que já ouvi várias vezes “jura que você vai assim pra USP? E as pessoas não olham feio, não?”. Ou seja, é meio consenso que isso acontece.
Isso obviamente não é um post de “oh meu deus, como sofro preconceito (risos) na minha universidade”. É algo que estava pensando há um tempo e daí na minha última aula _quinta-feira, de elementos de ciências políticas_ o cidadão que estava sentado na cadeira atrás de onde eu estava sentado, olhou pra mim e deu uma risadinha sarcástica assim que eu cheguei. Sei lá né gente. Tacar pedras nos outros por que esse grupo “só se liga nas aparências” quando qualquer (leia-se qualquer mesmo) pessoa faz a mesma coisa, é muita falta de autocrítica.
No fim, o que eu quero dizer mesmo é que julgar pelas aparências, se importar se a pessoa está vestindo uma roupa assim ou assado ou se está com o cabelo de um jeito ou de outro não é só mérito da moda. Isso está intrínseco na maior parte dos seres humanos. E isso não é necessariamente ruim ou bom. Se importar com moda _ou com roupa_ ou não se importar não faz ninguém melhor ou pior do que outra pessoa.
E se colocar em um patamar de superioridade intelectual só porque você “tem outras coisas para se preocupar” e achar a coleguinha fútil só por ela “aparentar” ter outras prioridades não é lá algo que faça muito sentido. É contraditório, não?
Afinal, se geral tivesse mesmo zero interesse nas aparências dos outros, eu, o Zé e a Maria poderíamos ir pra faculdade ou pra qualquer buraco usando Alexandre McQueen ou Alta Costura e ninguém ia nem dar bola.
Todo mundo tem seus valores e analisa-interage com os outros a partir deles. Não é só o povo da moda. Nem só o povo da esquerda. Somos todos.
UPDATE: Usei a FFLCH meio como exemplo. Lá eu percebo isso de uma maneira mais forte. Mas não é só lá e muito menos é todo mundo lá. Não é algo exclusivo da FFLCH, ou da FEA ou da FAU, ou da ECA, lugares onde eu também super frequentei. É algo que pode e provavelmente está em todo lugar. E é isso :)




























































