Quando me faltam palavras

Não sei dizer como começou minha relação com a música. Lembro de gostar de fita K7, e ouvir algumas no toca fitas que havia no fusca vermelho dos meus pais. Eu devia ter uns sete anos, e ficava sentada no banco da frente, com o carro estacionado na frente da área de casa, porque a gente não tinha aparelho de som ainda. Lembro de ir com a minha mãe aos rodízios de pizza do pessoal do trabalho dela, com música ao vivo, e me enfiar no palco porque eu achava aquilo tudo legal demais. Eu lembro que tocava Whisky A Go Go e Era Um Garoto que Como eu Amava os Beatles e os Rolling Stone todas as vezes, e foi aí que eu comecei a gostar de música que tinha feito sucesso muito antes de eu nascer. Lembro das tardes em Goiânia, única época da minha vida que eu tive minha mãe em casa quando voltava da escola, e que a gente ligava o rádio, eu e ela, e ficávamos cantando aqueles sertanejos sofridos enquanto fazíamos faxina e morríamos de saudade de todo mundo que tinha ficado em São Paulo. Lembro de quando, alguns anos depois, meu pai começou a vender discos de vinil na feira. E o nosso barracão do quintal virou um acervo cheio daquelas caixas de plástico lotadas do tal “bolachão”, e de repente minhas brincadeiras de faz de conta, coisa de quem é filha única, passaram a ter trilha sonora. E eu conheci os Beatles. E os Rolling Stones. Gostei mais de Beatles. E do George, se quiserem saber. E entendi que a música era muito mais que sons e palavras harmônicas. Música era sentimento.
Foi mais ou menos aí que eu me frustei ao me dar conta que a banda que eu mais amava, eu jamais veria ao vivo.
Depois eu conheci o Chico, a Elis, o João Gilberto. E soube que música também era política. E era também força e resistência.musica-henn-kimEu fiquei muito tempo apegada aos meus velhos ídolos, que me confortavam e me eram familiares. Buscar coisas novas me parecia muito assustador, e eu queria mesmo era insistir naquilo que já me fazia bem. Eu já conhecia a sensação, e eu gostava dela.
Não faz muito tempo que eu descobri que há outras sensações. E que eu gosto de todas elas. Gosto também quando incomoda. Quando causa estranhamento. Quando no começo parece que não vai me dizer nada, e no fim, me diz muito.
E então aquela sensação de que eu era mesmo muito azarada por gostar de banda que nunca tocaria na minha frente foi substituída pela certeza de que na verdade eu posso ver um monte de gente tocando na minha frente. E que essas são experiências loucas e transcendentais. E incríveis.
E eu queria aprender a tocar alguma coisa. Acho que assim eu teria um pedaço daquilo em mim. Mais do que sentir aquilo, eu faria parte daquilo.
Esse fim de semana eu vi e senti muitas coisas (vi O Terno -duas vezes!-, Maglore, E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Marrakesh, gorduratrans e FingerFingerrr). Muito diferentes umas das outras, mas todas falaram com meu coração, de alguma maneira. Seja literalmente, com uma letra que diz tudo o que eu sinto, tim tim por tim tim, seja nas sensações, com uma combinação de sons que hora me arrepiava, hora me deixava tão à flor da pele que eu sentia que podia chorar a qualquer instante.
Eu tenho paixão por comunicar. Eu tenho um blog, eu sou jornalista, eu tenho um canal no YouTube, fica bem óbvio que o que eu curto mesmo é dizer o que eu sinto, o que eu penso, o que está acontecendo no mundo. E meu meio é a palavra.
Depois desse fim de semana, eu finalmente entendi porque a música é tão importante pra mim. Quando me faltam palavras, e eu não sei mais como expressar o que eu sinto, colocar pra fora tudo aquilo que enche meu peito e chega a sufocar, é aí que entra a música. Quando não sei o que dizer, deixo que a música diga por mim. Pra tornar mais palpável o que era abstrato ou confuso. Pra jogar pro universo algo que estava preso em mim. E posso continuar a comunicar. A me expressar. A processar tudo o que estava aqui dentro. Amparada por um monte de gente que também sente como eu. Através de gente que sente como eu. Graças a gente que sente como eu.

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Gandaia

playlist balada

Sempre gostei de música e de festa, mas não de balada. Por muito tempo foi assim: a gente reunia os amigos, ligava o som, eu ia escolhendo as músicas (aham, sempre dava pitaco nas playlists), a gente dançava primeiro na varanda, depois no quintal, depois na chácara, na mesa… Entre amigos, umas dez, doze pessoas, bebidinha, e um ambiente em que eu me sentia muito tranquila e segura pra fazer o que me desse na telha.

No interior, balada sempre foi uma coisa meio igual, com músicas que eu não gostava muito, um público que não tinha nada a ver comigo e muito aperto. E eu não gosto de aperto. Gosto de espaço. Porque eu gosto de dançar.

Quando me mudei pra São Paulo, continuei achando que não gostava muito. Eu ia nas festas da faculdade, mas só nas da ECA, porque eu sabia que ia tocar as músicas que eu gostava, com pessoas que eu gostava e a bebida era muito barata. Mas eu também não fui em muitas, porque eu comecei a trabalhar cedo, e cada vez tinha menos ânimo pra me vestir, me arrumar, sair de casa, ficar na fila, etc etc etc.

Quando eu fiquei solteira, eu quis sair menos ainda pra balada (abre parênteses: eu falo “pra balada”, mas tem muita gente que fala “de balada” e eu nunca sei, fico confusa, fecha parênteses). A perspectiva de ir pra um lugar cheio de gente que eu não conhecia, sem a certeza de que eu ia me divertir, pagar caro pra beber e não gostar do que estivesse tocando me deixava com mais vontade de passar a noite inteira fazendo abdominal do que sair de casa. Eu tava em um momento em que eu queria fazer coisas certeiras, que me deixariam felizinha, tipo jantar com meus amigos, ver Netflix, comer pizza, ler um livro. E eu tinha preguiça. Muita preguiça.

gandaia playlist balada

Eis que ultimamente, contra todas as minhas expectativas, eu tenho gostado de sair. Não sei se é um novo momento, se são as companhias, se são os lugares que eu estou indo, mas me abri pra essa experiência da noite (oi, sou véia). Primeiro eu tive que me libertar desse preconceito de que todas as baladas/festas/lugares são iguais, com pessoas iguais, músicas iguais. Não são. Mas depois disso, tô me divertindo muito. E tô inclusive me libertando da ideia de que “tenho que me comportar de um jeito xis porque está cheio de gente desconhecida ao meu redor”. E daí, né? Vamos agir como a gente tiver com vontade de agir. Dançar se quiser dançar, ficar no cantinho curtindo a música se quiser ficar no cantinho, rodopiar se der na telha, descer até o chão. Vamos balizar menos o nosso comportamento de acordo com o olhar do outro. Se tiver olhando, mil beijinhos.

Um dos resultados disso é que muita gente me manda mensagem no snapchat (cheznoelle) perguntando qual a festa que eu tava ou que música era aquela que tava tocando -aham, sou a pessoa que faz snap de balada, mas é só por o dedinho na tela pra pular gente, sem grandes traumas- e pedindo pra fazer uma playlist. Quem me segue no Spotify já deve ter percebido que eu curto mesmo esse troço de fazer playlist. Eu fiz a Catorze, só com as músicas memoráveis da minha adolescência, e tem mais umas por lá, e aí montei essa aqui embaixo, batizada carinhosamente de Gandaia. Porque quando eu não estou ~na balada~ eu sou uma vovó de 64 anos que fala gandaia :)

Espero que gostem <3

Essa playlist é bem o momento que eu tô vivendo agora, as músicas que eu gosto de ouvir quando saio e que eu tocaria se fosse DJ de uma festa -de uma festinha indie-rocker, no caso, né. Aproveita que amanhã é sexta e já segue pra animar o fim de semana. Mesmo que consista em ficar em casa vendo Netflix, porque sério, muito amor.

Bisous, até depois!

{a foto é do Weslen Allen / I Hate Flash, eu e o Igor na festa ILHA}

coracao

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Catorze

Minha adolescência, assim como a da maioria das pessoas, não foi fácil. Dos 12 em diante a vida se tornou uma montanha russa de emoções, um poço que parecia não ter fundo e chateações que tomavam proporções inimagináveis. Era tudo tão intenso, tão forte, tão novo. Tudo tão difícil, mesmo podendo ser mais simples. Mas não era. Porque adolescentes não são simples. Adolescentes não sabem ser fáceis. Adolescentes só sabem sentir, a coisa de pensar racionalmente só vem um tempão depois. Eu, aliás, já escrevi aqui tudo o que eu queria ter falado para a Té adolescente pra ter tornado as coisas um pouquinho menos tensas.

musicas adolescencia

E essa semana, sei lá porque, me lembrei de uma música que me marcou muito na adolescência. Eu só lembrava da melodia e não havia meio de lembrar a letra ou que raio de música era. Quando Hugo chegou em casa, fiquei fazendo o “na na na” pra ele e ele decifrou: “I Miss You“, do Blink 182. Não só ele. Eu postei no snap (me segue lá? é cheznoelle) e um monte de gente chutou que fosse essa mesma.
Vim correndo ouvir a tal música e foi como se eu me transportasse para aqueles dias de adolescência. Em que tudo era tão intenso, doído, forte, pesado até. E me lembrei de várias outras que serviram de pano de fundo para essa sensação de “alma incompreendida“, pra esse montão de emoções que olhando hoje parecem não fazer sentido, mas que faziam muito na época e até me orgulho de ter sentido. Fui ouvindo uma, depois outra, depois outra, e foi tão… gostoso.
Pois é. Não foi triste. Não senti saudades (até porque não foi uma época GOSTOSA, não vou mentir pra vocês, e não sinto um pingo de falta), mas foi como se eu tivesse me teletransportado pra hora do recreio da minha escola e tivesse vendo eu mesma adolescente. E aí eu chegasse em mim mesma e falasse: miga, que caminho que a gente percorreu, hein? Me dá aqui um abraço e vamos dividir esse fone de ouvido juntas. Aliás, gravei um vídeo com a Isa falando sobre essa época chata da adolescência e você pode ver clicando aqui.

Foi uma viagem bem maneira ouvir todas essas músicas, relembrar, redescobrir, cavar as memórias, e acabei montando uma playlist bem especial pra mim. Mas que pode ser também especial pra muita gente que foi adolescente nos anos 2000. É essa aqui embaixo, chamada “Catorze” e é meu xodó <3

Falando com meu migo Matheus, que me ajudou a relembrar algumas das músicas, a gente ficou pirando sobre como foi foda ter essa trilha sonora que traduzia tudo o que a gente tava sentindo.
Sério, que delícia que era cantar a plenos pulmões os refrões de Linkin Park, Evanescence, Blink 182, CPM 22, Charlie Brown Jr, Green Day, Avril, Slipknot e mais um monte de bandas que eu apelidei, junto com outro migo, o Fê do Fotografando à Mesa, de rock sofrência.
Eu não faço a menor ideia de como é ser adolescente hoje, mas foi bom ser adolescente nos 2000 e poder contar com essas letras todas pra dizer o que eu sentia, pra expurgar aquilo tudo que ficava preso no peito.

Foi ainda mais legal compartilhar essa playlist no snap -eu sempre mostro lá o que eu tô ouvindo, aliás- e no twitter e ver que tanta gente se sentiu do mesmo jeitinho, viajou no tempo e entrou nessa pira comigo. Por isso achei que valia dividir por aqui também. Se você curtiu, segue a playlist (ou meu usuário lá no spotify, que é cheznoelle também) :)

Então tá! Me contem se vocês gostaram ou se vocês ouviam coisas completamente diferentes!

Beijos e tchau :)

coracao

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Pra ouvir: Banks

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O Lucas me apresentou a Banks ano passado, ainda. Era uma época em que todo dia ele me mandava uma música diferente pra eu ouvir (melhor migo <3) no trabalho, e ele me falou dela. Não lembro porque, mas na época eu ouvi, mas não me prendeu. Acho que era o momento da vida, tenho muito isso, de encontrar cantores novos que signifiquem algo pra mim naquele momento, seja pelas letras, seja pelo ritmo, a voz… Às vezes nem me identifico com as letras, mas o ritmo me faz bem, sabe assim?
Corta pra esse ano e eu ouvi uma música dela em alguma playlist do Spotify e gostei muito. Salvei o CD, mas, de novo, não dei muita bola. Até um mês atrás, quando tava enjoada do que tava ouvindo e dei outra chance… e agora estou viciada.

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Ela tem uma voz linda, um timbre bem sexy (pode tocar quando for levar o gatinho pra passar a noite em casa, viu), as letras são incríveis -ela mesma compõe-, mas são meio melancólicas, meio coração partido, uma vibe meio “eu me apaixonei pela pessoa errada” misturada com “eu não sei amar outras pessoas, nasci pra ser sozinha”. Na real têm umas músicas bem tensas, sobre relacionamento abusivo e coisas assim, que me faz pensar que ela já passou por coisas horríveis, e é preciso muita coragem pra expor desse jeito e muita força (e talento) pra transformar memórias ruins em músicas lindas. Na Teen Vogue ela falou que as músicas são como “um machucado que é gostoso”.

Ela tem 27 anos, nasceu Jillian Rose Banks (mas usa só Banks porque “É curto e poderoso, e isso é o que eu quero que minha música seja”) em Los Angeles, e tem um CD lançado até agora -e dois EPs-, o “Goddess“, mas já apareceu em um monte de listas do tipo “Artista pra ficar de olho”, não curte muito redes sociais, mas é amiga da Lily Collins, que usou seus contatos de Hollywood pra fazer o nome da Banks chegar a gente importante, que poderia fazê-la se tornar conhecida entre as gravadoras, porque até então ela só divulgava suas músicas no Soundcloud, e foi o que aconteceu. Ela abriu os shows do The Weeknd, e fez tanto sucesso que pode lançar sua própria turnê solo, e “Waiting Game“, uma das minhas preferidas, foi tema de um comercial da Victoria’s Secret, além de ser trilha sonora de “Divergente”  e aparecer em um episódio de “Grey’s Anatomy” – “You Should Know Where I’m Coming From” e “Goddess” também tocaram em “Grey’s Anatomy”.

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Fiz uma playlist com as que mais gosto de ouvir, mas tem o cd completo no Spotify, provavelmente no Deezer, e no iTunes, também! Chama “Goddess”! A “Beggin for Thread” foi a primeira que me fisgou, e acho que é a mais fácil de gostar, também. Fico fácil dançando essa música sozinha no quarto -e tá na minha playlist da academia- é a minha preferida, fácil, junto com “Waiting Game“. Outras que tô amando são “Brain“, “You Should Know Where I’m Coming From”, Goddess” e “Under the Table“. Ai, mas gosto de todas da playlist, juro. Escutem aqui embaixo e me contem ;)

O instagram dela é Her Name is Banks, o twitter também é Her Name is Banks e o site oficial também é Her Name is Banks.

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Cês já conheciam? Gostaram? Me contem :)julho

Bisous!

coracao

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Pra ouvir e viciar: Ella Eyre

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Há algumas semanas minha amiga Carol veio me visitar. Carol é ótima em me apresentar músicas, ela sempre sabe o que vou gostar, é batata! E nesse dia em que ela esteve aqui, ficamos no quarto ouvindo música e ela me apresentou essa moça chamada Ella Eyre. E eu vou apresentá-la a vocês, caso não conheçam. Até a Cá me apresentar, eu nunca tinha ouvido.

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Ela é londrina, tem 21 anos, uma voz MUITO poderosa e um cabelo tão lindo que não é possível que seja desse planeta. Toda a carreira dela é meio recente, o primeiro single saiu em 2014, e é meu preferido, chama “If I Go”. É bem pop, ótimo pra dançar pré-festeeeenha com as amigas em casa, na própria festeeenha ou em casa mesmo. Eu sou dessas que liga a música e dança sem motivo específico pela casa. Meus roomies já estão acostumados.

Por enquanto ela só tem um EP (longo demais pra ser single, curto demais pra ser álbum), chamado Deeper, mas eu gosto de absolutamente todas as músicas dele. “If I Go” e “Comeback” são minhas favoritas, e “We Don’t Have to Take Our Clothes Off” e Comeback na versão acústica, mais lentas, também são lindas. Ela está em tour com o Olly Murs, outro britânico que eu adoro, descoberto em uma temporada antiga de X Factor. Eles inclusive fizeram um dueto para “Up“, o hit de Olly que ele canta com a Demi Lovato.

Eu espero que ela faça muito sucesso e lance um CD recheadinho de canções maravilhosas logo, porque ela merece! A voz é muito linda, ela é linda & poderosa, e contou em uma entrevista ao Guardian que sua mãe é a responsável por tudo o que ela é – o pai, um chef de cozinha, morou a vida toda na Jamaica e ela o conheceu pra valer há pouco mais de dois anos – e a colocou pra ralar desde adolescente. “Minha mãe sempre me manteve ocupada. Ela costumava dizer ‘ninguém gosta de um adolescente. Então use sua adolescência para trabalhar. E então aproveite a sua vida quando estiver um pouco mais velha”. Achei esse conselho muito sensacional, hehe. E vocês sabem como eu tenho uma queda por histórias de mulheres apoiadas por suas mães <3

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O instagram dela é maravilhoso – ela tem muito estilo e posta várias fotos das suas produções lá – também vale muito seguir :)

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Brigada, Cá, por ter me apresentado essa maravilhosidade! E vocês, gostaram?

Mil beijos!

Criei uma pesquisa pra as leitoras e os leitores do blog! Quem puder responder, agradeço imensamente, é muito importante pra mim :) Só clicar aqui.

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