Porque hoje é dia 12. Não só dia dos namorados. Dia 12 pra mim e pro Dá é sempre especial e todo dia 12 do mês a gente comemora, porque foi num dia 12 (de janeiro) que a gente deu o nosso primeiro beijo. E porque eu amo muito esse garoto e hoje fazemos 5 anos e 5 meses de namoro. Fiquei com vontade de compartilhar com vocês um texto que escrevi há quase três anos, mas que é tão real, tão palpável e tão verdadeiro como se fosse hoje.
Domingo, 21 de novembro. Uma data para ser lembrada.
Amo domingos, e fazia calor. Mas era noite, então havia uma leve brisa que não deixava a gente ficar com preguiça de sair de casa.
“Que horas são, Ana?”
“21h32″
“Gente, já vai começar!”
As luzes se apagam, os gritos ecoam por um estádio lotado, com mais de 60 mil pessoas, todas esperando ansiosas pelo mesmo momento que eu: Paul McCartney, ex-beatle, adentrar pelo palco gigantesco construído no Morumbi.
E ele entra, e eu seguro a mão de David bem forte, porque o meu sonho, o sonho dele, o nosso sonho estava, naquele momento, sendo realizado.
Corta para o dia 09 de Janeiro de 2008.
Eu e ele, numa sala de cinema, sem saber direito o que o outro estava pensando, mas sentindo aquele comichão na barriga, aquelas borboletas inquietas, ao olhar nos olhos do outro.
As luzes se apagam, e aquele ator bonitinho começa cantando “Girl”, em uma praia bonita e melancólica.
Minha cabeça dá mil voltas. Quero ser essa “Girl” dos pensamentos daquele menino que eu conheço há pouco mais de um mês.
O filme, “Across the Universe”, continua, ininterrupto. Eu não consigo prestar tanta atenção, quando o protagonista de todos os meus sonhos dos últimos tempos está ali, do meu lado, olhando daquele jeito hipnotizante pra mim.
“I Wanna Hold Your Hand”, sim, sim, eu quero segurar a sua mão, queira também segurar a minha, por favor. “I’ve just seen a face”, e desde que eu avistei, eu nunca mais fui a mesma. Não só no sentido “amorístico da coisa”, mas no sentido “personalístico” também. “It wont be long”, mas demora, mas demora tanto, e eu ali, querendo ser amada, querendo ser abraçada, querendo ser querida por ele.
Passa uma, duas, quatro, seis músicas. E começa “Dear Prudence“, aquela música que me diz tanto (qual não me diz, não é mesmo?), que me chega a doer o coração de tanto que eu amo, de tanto que eu penso nele quando a escuto. E aí, as imagens se misturam em minha mente, umas nuvens meio malucas no filme, mas e daí, não to nem aí, porque…. PORQUE ELE PEGOU NA MINHA MÃO, MEU DEUS DO CÉU, NÃO TÔ ACREDITANDO.
Volta pro estádio
Quase três anos se passaram, e eu me lembro como se fosse hoje. E ao adentrar no Morumbi, e ouvir aquela voz que embalou meus sonhos e minha vida de sonhos ao lado do David, simplesmente me parecia bom demais pra ser verdade.
Teve um dia, um dia tão bom, que a gente veio pra São Paulo, e ele comprou um vinil do Sgt. Peppers, e a gente chegou em casa, e ele colocou uma vitrola lá no andar de cima, e a gente deitou num colchão, com nossas cabeças encostadas uma na outra, e ficamos ouvindo aquele álbum maravilhoso. E a gente ouviu “Lucy in the Sky with diamonds”, e ele me disse que eu era “the girl with the sun in her eyes”, e eu estava entorpecida de amor, de tanto amor que eu sentia por aquele menino, que me mudou de um jeito inexplicável.
Não conseguiria pôr em palavras tudo o que passou pela minha cabeça, e pelo meu coração, ao ouvir o dono daquela voz ali, cantando pra mim, pra ele, e pra todos os apaixonados do mundo.
Não consigo explicar o que é ter Paul cantando “All my loving”, música que assinava todas as cartas remetidas pelo David para mim. Música que foi minha trilha sonora quando David viajou, e eu ficava esperando notícias dele, como aquelas mulheres dos anos 40, que esperavam notícias de seus amados soldados.
Cada uma, CADA UMA, das músicas que Paul cantou ontem, e que cantou também com os Beatles, tinha um significado especial pra mim.
Um dia, quando fazia pouco tempo que a gente namorava, fomos a um casamento e tinha uma limusine, e ficamos tirando fotos engraçadinhas. Quando as fotos foram reveladas, ele me deu uma, com “Drive my Car” escrita nas costas da fotografia.
Antes de a gente começar a namorar, eu ia na casa dele, à tarde, e a gente ficava ouvindo os CDs dele dos Beatles, ou ele tocava as musicas que eu mais gostava no violão, ou na guitarra, ou na bateria.
Quantas vezes ele tentou me ensinar a tocar “Something” na bateria, e dava risada de todas as vezes que eu errava a viradinha maligna do começo, mas ia com toda a paciência me ensinar a fazer direito.
Eu sempre quis namorar alguém que citasse Beatles em suas declarações, ou em suas cartas. Em todos os seus emails, referências ao quarteto eram onipresentes.
Em nossa primeira troca de emails, ele citou três musicas, “I Feel Fine”, “I Wanna Hold your hand” e…. “I want you (she’is SO heavy)”. Desde o primeiro dia que segurei na mão dele, eu soube que estava vivendo um sonho. E hoje, 2 anos e 10 meses (e alguns dias) depois, eu ainda não acordei.
E ontem, a cada frase proferida por Paul, o David me apertava mais forte, me olhava mais fundo nos olhos, gritava com mais vontade.
Em “Hey Jude”, lembrei do aniversário de minha prima, que teve uma banda cover de Beatles, que fez tudo ser ainda mais especial. Neste aniversário, nos abraçamos pra cantar Hey Jude, fazendo o clássico “na na na na Hey Jude”. Neste mesmo dia, enquanto a banda cantava “In my life”, David sussurrou em meu ouvido “In my life, I love you more”. Depois sentamos em umas cadeiras, longe do mundo todo, e ele me disse, e eu lembro exatamente, que queria me dizer a palavra que começava com “A” e terminava com “R”.
Esses dias mesmo, ele trouxe minha mala ao meu apartamento, e deixou comida na geladeira. E aí em cada pacotinho havia um bilhete com uma referência a uma música. Em um deles estava escrito “Molly & Desmond”. O casal fofo que protagoniza a ainda mais fofa “Ob-la-di, Ob-la-da”, que poucos dias depois estava transcrita (com direito a um vídeo de Sir Paul cantando-a) em um email de aniversário de namoro.
The Beatles é uma banda intrínseca ao meu amor pelo David. Não dá pra tirar, se não a nossa história fica cheia de buracos, não faz sentido, fica chata e monótona. São eles que dizem tudo o que quero dizer ao David. São eles que me fizeram me apaixonar por ele, namorá-lo, e hoje (ou ontem), ter ainda mais certeza de que esse menino com cabelos escuros meio desarrumados, óculos indefectíveis e um sorriso enigmático, é o homem da minha vida.
É difícil escrever sobre meu namoro e sobre meu namorado. Sempre acho que não estou sendo fiel o suficiente, que não estou fazendo jus ao nosso amor, a nossa vida juntos. Que estou sendo meio superficial, e que ninguém vai conseguir captar a essência. Mas aí eu penso que ninguém vai mesmo, não importa como eu escreva. É uma coisa que só nós dois sabemos. Nós dois, e aqueles quatro meninos que escreveram as letras que tanto nos dizem. Aquilo que eles sentiram ao escrever suas canções é o que eu e David sentimos hoje, um pelo outro.
Obrigada Paul, por escrever e cantar músicas que me dizem tanto, e que me fazem tão bem.
Obrigada David, por ser a pessoa mais incrível e encantadora que eu já conheci.

































