Quando vi este editorial pela primeira vez, não sabia qual o título dele. Olhei as fotos uma, duas… várias vezes. É comum, quando eu gosto muito de uma foto, um texto ou qualquer coisa, que eu fique vendo e revendo over ‘nd over again. É como se eu quisesse sugar o máximo possível da essência de tudo aquilo, como se eu pudesse pegar um pedacinho do que aquilo tem de mais tocante e especial.
Aí revi esse editorial e fiquei imaginando a história dele. Essa é outra mania minha, de olhar as fotos e tentar adivinhar a situação, o porquê a modelo tá com aquela maquiagem, aquela expressão, de onde ela veio, pra onde ela vai… Acho muito divertido!
(Eu já saí do assunto desse editorial DUAS vezes, vou tentar manter o foco, haha)
Bom, aí Jessica Stam, que é a modelo do editorial, tava com um semblante meio triste e roupas incríveis, e achei a imagem tão linda e tão solitária ao mesmo tempo. Ela tava lá, maravilhosa, mas com um vazio nos olhos de gente que parece que tem amigos mas não tem ninguém, sabe?
Depois descobri o nome do editorial, que é “After Hours”, veiculado na edição de novembro/2010 da Vogue UK, o que reforçou minha ideia. Na minha cabeça, Jessica Stam é (na história do editorial!) bela, saí, arrasa nas festas e jantares e volta pra casa sozinha e triste, sem ninguém pra dizer boa noite.
E esse vazio acompanha a moça em todos os momentos do seu dia.
E eu gosto de achar beleza na tristeza, na solidão e no vazio.
Achar beleza na felicidade é fácil. Ela pula aos nossos olhos, exala pelos poros, ela tá no brilho do olhar.
Mas tristeza, assim como cara inchada de choro, não é bonita. Não à primeira vista.
After Hours
Fotógrafa: Lina Scheynius
Styling: Bay Garnett
Modelo: Jessica Stam

Brilho em cima, brilho embaixo. Cinto opaco no meio que acalma o ”Dancing Days” do look. E tem esse tule, na saia, um detalhe tão pequeno, mas que faz uma diferença no resultado. A blusa e o cinto são Louis Vuitton, a saia, Balenciaga (god bless Nicolas Ghèsquiere!).

Eu sou fã da Miu Miu, portanto qualquer coisa menor que “Ó deus, que lindo”, seria mentira. Esse vestido, ou esse padrão de vestido (Miu Miu) tem estampado capas de revistas e uma enxurrada de editoriais pelo mundo. Fica um tanto chato, afinal, o legal na moda não é a novidade? Mas o vestido não deixa de ser bonito. E o sapato, salto grosso que tá super “em voga”, é Louis Vuitton.

Fico meio boba com como uma situação tão vida real pode despertar desejo de moda. Ela tá tomando água. Tipo, todo mundo faz isso! E eu gosto das luzes da foto. Você vê que é de manhã, o sol batendo na parede, dá vontade de sair e ficar tomando esse sol. O casaco é Moschino Cheap and Chic e o vestido (lindo!) é Alberta Ferretti.

Essa é uma das fotos que mais me dão um nó na garganta. É quase como ela estivesse pedindo que alguém olhe pra ela, de verdade, e não superficialmente. Pra que alguém a entenda, a acalente. A faça feliz. E o vestido, Valentino, exala uma aura de intimidade, por causa dessas rendas e transparências, como se estivéssemos vendo o íntimo dela.

Acho rico como o stylist fez um look monocromático sem ser chato. Tanto brilho pode ficar um tanto over, mas vamos lá, é um editorial de moda! haha. Eu gosto que é verde e não preto (porque é mais fácil fazer look monocromático e com brilho e textura se for preto), e que me lembra um pouco o militarismo, especialmente pelo cinto grosso. A camisa, que imita uma estampa de leopardo, é Roberto Cavalli e a calça é Isabel Marant.

Outra foto com luz linda! E acho fofo/engraçadinho que tem uma almofada com leopard print, outra com um tigre e um gatinho (de verdade!) ao lado dela, tipo a cama dos felinos haha. Não dá pra ver com clareza, mas ela usa um vestido Christopher Kane e por cima dele uma blusa de chiffon Alberta Ferretti.

Sozinha. Linda, loira e bem vestida, mas sozinha. Aqui vale uma reflexão (haha), de que a roupa pode não ser nada, não significar nada, a não ser que você viva momentos memoráveis dentro dela. Bora levar a roupa bonita passear e ser feliz com ela? ;) Aqui, o top é Dolce&Gabbana e a saia é Chanel.

Alexa Chung disseminou a ideia de usar shortinhos, tipo de ciclistas mas com renda, na vida. Eu não gosto, acho que quase ninguém no mundo fica bem com essa peça. Mas olha só como na modelo fica bom, né? Mas acho ótima a ideia, de blusa, Yves Saint-Laurent, cheia de informação, com parte de baixo, Erdem, quase sem nada. Isso dá pra todo mundo adotar!
Outra imagem que me dá nó na garganta. Dá vontade de dar um abraço nela, e falar que tudo vai ficar bem, não dá? E não é só o olhar, mas toda a expressão corporal, o jeito que ela segura os dedos, que me lembra insegurança. E nas roupas, um monte de textura diferente. Veludo, transparência, renda, cetim (parece cetim, será que é?). Mil coisas acontecendo no look, mas nada na vida dela. A blusa é D&G e a saia, Versace.

E por último, minha imagem preferida. Aqui, aparentemente, pela primeira vez ela resolve sair do marasmo, da auto-piedade. E os componentes da foto (livros, vaso de flor, abajur) me parecem tão familiares. Tão atingíveis. A blusa é Oscar de la Renta e a saia é Blumarine.
Bom resto de domingo pra todos :)
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