Ai que saudade do blog! Como tinha contado, tava (ainda tô, mas já tá acabando) em fechamento da edição de novembro da L’Officiel, por isso me ausentei mais do que gostaria do blog. A gente vai pegando um amor pela coisa, né? É meio doido. Fico o dia inteiro pensando “ai, o blog tá lá sozinho, sem nenhuma coisinha nova…” haha. Enfim, chega de lenga-lenga, eu sou muito faladeira, credo.
Outro dia, numa pós-aula, tava conversando com uma amiga _a Juliana Cunha que tem aquele blog incrível que chama ‘Já Matei por Menos’_ sobre revistas. Outro dia é ser muito boazinha. Faz uns dois meses. Mas cês sabem que meu timing é meio maluco, e aí eu vou maturando as ideias haha. Aí ela me contou que tava meio de saco cheio de revistas de moda em geral, e falou um troço que me fez ficar pensando, como vocês podem ver, por muito tempo.
Que as revistas trabalham muito com essa ideia do “Seja Linda”, “Fique Linda”, etc, mas ninguém pensa na possibilidade de alguém não querer ficar linda. “É só olhar ao nosso redor aqui na USP, as pessoas não estão preocupadas com isso, elas têm outras prioridades”, a Ju me disse (meio em linhas gerais, faz tempo a conversa, Ju, se eu falei besteira me corrija). E foi isso que me fez pensar nesse texto de hoje.

Afinal, o tal conceito de “fique linda”. Tenho para mim que se a pessoa não está dando a mínima, mesmo, para o assunto, não há porque ela se dar ao trabalho de comprar ou ler uma revista que fale sobre o dito cujo. Assim como não dou a mínima para quem vai cair para a Série B ou o novo carro 4×4. Eu simplesmente não compro e não leio os jornais e revistas sobre isso.
Mas tem outro lado, menos superficial, claro. A insistência de nós, imprensa de beleza, querermos que as mulheres “fiquem lindas”. Como se todo mundo no universo tivesse que ficar linda, se sentir linda, caso contrário o planeta se autodestruirá em 3..2..1
E acho que aí entra a maneira como cada veículo trata esse assunto. Eu odeio matérias que fazem a leitora achar que deve ser perfeita, que tem que ter o bumbum empinado, a barriga dura, o rosto sem sardas (eu AMO sardas), o cabelo liso… Quando eu era mais nova, eu lia essas coisas e me dava um faniquito, eu não sabia se deprimia ou ficava com raiva. Eu pensava “mas gente, só posso ser bonita assim?”. E às vezes é meio isso que vejo por aí, e que também me estressa. A nova dieta, a nova ginástica, a nova semente que vai revolucionar seu abdômen, o novo tratamento de choque que vai transformar sua pele. Como se isso fosse acessível e possível pra maioria das mulheres sabe. Porque na real, quem, mesmo que tenha dinheiro, tem tempo e disposição para ficar acompanhando e fazendo essas coisas?

Não sei se sou doida, o que é uma possibilidade, mas quando entrei na L’Officiel eu tinha pra mim que não queria fazer esse tipo de coisa. E para toda a nossa equipe é assim. Eu queria _e quero!_ escrever sobre coisas que façam a gente se sentir melhor do nosso jeito mesmo. Tipo eu, tipo você, só que melhoradas. Mas não apontando defeitos. Não falando “ó, você que tá gorda e toda errada, essa matéria é pra você”, e daí a pessoa lê sobre uma coisa que é quase impossível dela conseguir fazer, porque ou ela abandona a vida e se dedica a isso, ou já era.
Pra mim, o jornalismo de beleza é inspiração. É você ler um negócio que não vai te fazer pensar “putz, que droga, to molenga, precisava fazer essa dieta, essa cirurgia, esse tratamento estético novo”, mas sim algo que você leia e pense “que incrível, vou testar uma sombra dessa cor, acho que vai ficar bonita em mim”. Sabe, chega de ficar jogando na cara das pessoas que elas precisam mudar algo, se encaixarem num padrão x.
Na nossa edição de setembro, fiz uma matéria sobre bumbum. E era meio “quer usar biquininho e deixar o bumbum em dia?”. Só que enquanto apurava a matéria, e fazia o texto, era tão impossível, tão “faça só isso da sua vida”, que escrevi a matéria meio nesse tom mesmo, de “amiga, não tá fácil pra ninguém mesmo, fica tranks”. A matéria tá lá para quem quiser se aventurar, mas quem for ler e não quiser/puder/não estiver nem aí, também não vai se sentir deprimida com vontade de chorar no travesseiro porque não pode fazer drenagem 5 vezes na semana.

Sei lá, acho ridículo essas matérias de “emagreça/fique durinha/vire a Gisele em 5 dias”. Porque além de não rolar, tá tirando uma com a cara da leitora, tipo “é fácil, você que é preguiçosa, você só não é perfeita (o que é ser perfeita, né gente?) porque não quer”.
Não sei se tá claro, porque mesmo pra mim é uma coisa meio subjetiva. Eu sinto. Mas não sei explicar direito.
E se foi isso que a Juliana quis dizer, concordo com ela. Chega desse jornalismo de Beleza que faz as mulheres se sentirem mal. Sua síndica, a pessoa do carro de trás no trânsito e seu ex-namorado provavelmente já fazem o serviço suficiente, não precisa abrir uma revista e se sentir ainda pior.
“Imperfection is beauty, madness is genius and it’s better to be absolutely ridiculous than absolutely boring”
Marilyn Monroe
(Imperfeição é beleza, loucura é genial e é melhor ser absolutamente ridículo do que ser absolutamente entediante)
Quanto a ter outras prioridades na vida, acho que já escrevi sobre isso por aqui, mas não to achando o link.
Sinceramente, exceto pra mim _e para as colegas_ que trabalho com Beleza, não acho mesmo que o assunto deva ser prioridade na sua vida. Se você quiser, fica à vontade, mas se tiver outra coisa com que se preocupar, que ótimo também. Afinal, do mesmo jeito que Diana Vreeland falava que não é o vestido que importa, mas a vida que você leva dentro que vale alguma coisa, o mesmo serve pra Beleza. O importante é a vida que você leva. E se usar um batom vermelho faz você viver uma vida mais feliz, porque não? Se chegar em casa e tomar banho com um sabonete cheiroso e gostoso faz você dar um sorrisinho bom, porque não? São as pequenas coisas que fazem o dia a dia ser mais delícia, não é não?

As coisas não precisam ser prioridade para estarem na nossa vida, elas só precisam estar. E eu as enxergo como coadjuvantes da vida que a gente quer ter todo dia, dando um apoio, fazendo ser mais divertida e legal. E é isso.
Desculpem aí o texto giga, mas quem me conhece, já sabe que eu me empolgo, hihi.
Bisous e boa semana!
ps: nas imagens, Marilyn Monroe e Audrey Hepburn, cada uma de um jeito, cada uma com seus defeitos, duas mulheres lindas :)
ps²: fiz uma página para o Chez Noelle no facebook, então se você gostou, curte lá, por favor hihihi :)
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