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Ser editor de moda, por Paulo Martinez

Sabe Olimpo? Aquele lugar onde todos os deuses gregos se reúnem e a gente fica imaginando como é, quando lê um livro que fala disso? Então, eu tenho um Olimpo próprio na minha cabeça, só com as pessoas que eu acho sensacionais na Moda e que eu super acho que podiam ocupar uma poltrona bem gostosa no que eu chamaria sem nenhuma originalidade de Olimpo das Modas.

Uma dessas pessoas é o Paulo Martinez, @arrudaneles no twitter e Tio Paulo no coração. Ele é editor de moda da MAG!, uma revista que nem é só de moda, mas também de cultura, arte e muita (!) coisa linda. E a parte de moda é muito incrível, porque Paulo vai além do que a gente vê em quase todas as publicações de moda por aqui, tipo ‘fundo branco + modelo pulando com uma roupinha bonitinha’. Nã ná ni ná não. Paulo sempre tenta (e consegue, se me permitem parecer um pouco puxa-saco, mas tô sendo honesta) contar uma história, de fazer ou a gente suspirar, ou a gente pirar, ou a gente pensar.

(roubei a foto da Oficina de Estilo)

Sério, se vocês gostam de moda (e querem trabalhar com isso, especialmente) e ainda não conhecem o trabalho do Paulo, façam o favor de correrem atrás do prejuízo. Vocês podem ver as edições passadas da MAG aqui ó.

O Paulo já trabalhou em Elle, Vogue (tudo das antigas), com a Regina Guerreiro, e começou em revista de decoração, sabiam? Ele fazia produção, arrumava as coisas daquele jeito de revista de decoração que a gente queria fazer em casa, mas não consegue. Ele contou que tudo isso deu uma baita noção de espaço e proporção de fotos, de como montar um cenário, uma coisa bonita. Pra vocês verem que aprendizado vem de tudo quanto é lugar.

Depois disso ele fez revista de noiva (isso tudo há um tempão atrás, eu nem era nascida, hihi), e ele contou que o esquema era muito diferente de como as coisas são hoje. Na época eles tinham que fotografar tipo as filhas~sobrinhas~netas dos donos das lojas de vestidos de noiva, e vocês bem sabem que elas não eram necessariamente lindas, altas e magrelas, então tinha que dar muito truque. Um deles era colocar as meninas em cima de um monte de lista telefônica embaixo dos vestidos, pra elas parecerem mais altas!

(Agência Fotosite)

Eu poderia fazer um livro sobre a vida & carreira do Paulo, mas né. Daí que tudo isso é pra contar um pouquinho sobre ele e falar que ano passado eu e amigos – Rafa, Bia, Lucas, Marina e Nath – fizemos um trabalho de vídeo com o Paulo! Nosso professor amou, então suponho que vocês também vão gostar, haha.

Ele conta um pouquinho (tem só 5 minutos porque era o que pedia o trabalho) sobre o que ele faz e o que ele pensa sobre ser editor de moda. Em um momento que qualquer pessoa que use roupa e tenha internet ache que pode falar sobre moda, é bom ver e ouvir gente que entende de verdade falando sobre trabalho, de verdade.

Quer ser editor de moda? Quer trabalhar com moda? Quer falar de moda? Quer ser relevante? Assista ao vídeo e aprenda um tiquinho! Espero que eu tenha aprendido! E que vocês gostem <3

foto que eu amo muito da Ju Knobel, com dois deuses, Paulo e Costanza

Bisous,

Stephanie Noelle

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Vamos ser sérios?

A maioria dos meus amigos não são “da moda”. São pessoas que estudam e trabalham com outras coisas, tipo Engenharia, Administração, Direito, essas profissões que costumam direcionar pra Moda (ou Jornalismo de Moda) um olhar de desprezo. O que é bastante compreensível, se a gente parar pra pensar.

Eu parei pra pensar mais sobre isso há tipo um mês, quando estava na casa de um amigo (estudante de Direito, o Matheus), com meu namorado, o irmão dele e minha prima (todos estudantes de outras coisas nada a ver com moda), e a gente começou a ver o Esquadrão da Moda inglês. E aí meu amigo começou a perguntar sobre a relevância do programa, e de por que raios a gente tem que estar ‘na moda’ e coisas do gênero.

Daí que a gente começou uma discussão muito boa sobre porque a moda é importante, mesmo que o individuo ache que só porque pega a primeira roupa que viu no armário ele “não está inserido no sistema da moda”.

Mas a primeira coisa que eu quero falar aqui é sobre ser compreensível que outros profissionais se achem no direito de “olhar com desprezo” pra quem trabalha com a moda. Aliás, quando eu falo “moda” eu tô falando meio que especificamente de Jornalismo de Moda, que é com o que eu tenho experiência, tá?

Acho que um pouco desse sentimento de superioridade do outro lado tem a ver com aquilo que escrevi no post sobre a Mão Invisível. Em outras profissões as coisas têm explicações. Não se fala muito de filosofia, sociologia, psicologia sem bases sólidas em teóricos, livros e empirismos, por exemplo. Por mais que pareça uma doidice, eles fazem questão de mostrar que tudo faz sentido, sabe?

Tipo, você não pode simplesmente falar, como um profissional, “ai, tal pessoa age dessa maneira porque na infância ela foi tratada de tal jeito”, assim, na lata, sem base, sem citar Freud (ou qualquer outra pessoa importante nesse assunto que eu obviamente não sei bulhufas), sem explicar direitinho.

O que eu quero dizer e não consigo fazer de maneira concisa é que todo mundo precisa de embasamento na hora de mostrar ao mundo porque o que ele está dizendo/fazendo/criando/criticando não é bobagem.

E muitas vezes o que sinto é que o povo de fora total tem razão quando olha torto pro povo da moda, já que parece que tanto em revistas, blogs, sites e programas de TV não se faz muita questão de explicar porque RAIOS a gente deveria levar a sério o que eles tão fazendo. É quase sempre a mesma nota repetida a exaustão: “Aparência conta, a primeira impressão é a que fica, e se você não quiser fazer papel de palhaço, escuta aqui o que a gente tá falando”.

Quase tudo o que vejo são regras misturadas com gosto pessoal, baseadas em alguma bonitinha de Londres ou riquinha francesa, sobre o que, como, quando e onde a pessoa deve usar. E às vezes, tudo (?) isso vem junto com textos mal escritos, com erros ortográficos, gramaticais e até de nomenclatura, e nada de apuro.

E é só isso mesmo?

No meio do “debate”, o Augusto, que faz Biologia e é meu cunhado, disse assim pro nosso amigo: “Os seres humanos são mamíferos predominantemente visuais, e não olfativos, como a maioria dos outros mamíferos. Enquanto os outros mamíferos baseiam suas relações no cheiro, nós partimos do visual, ou seja da aparência. E é por isso que aparência conta”. E aí Matheus respondeu “Até que enfim alguém me deu uma resposta que faz sentido”.

Depois disso, amiguinhos leitores, eu comecei a pensar sobre esse texto. A moda se leva tão a sério, tão a sério, a ponto de esquecer que como tudo que é sério, precisa ser ‘manejada’ com seriedade, e não como simples passatempo.

E assim, levada sem seriedade, acaba irritando tanto quem é de fora, quanto quem tá dentro, trabalhando e amando isso. Por que não sei vocês, mas eu não gosto nadinha do jeito como as coisas estão.

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One of those days

Este post foi originalmente publicado no blog Chez Noelle, no dia 19/10/09.


Eu não costumo reclamar muito. Seria extremamente imbecil da minha parte se eu reclamasse o tempo todo, já que, na maioria das vezes, as coisas ocorrem até que nos conformes do planejado.
Mas aí sempre tem aquele dia que o cara que mexe nas marionetes aponta pra nossa cara e fala: Hoje é você!
E aí, bem, aí dá tudo errado. Você acorda mal e tudo no decorrer do dia parece contribuir para fazer você de idiota. Parece que o mundo está assistindo de camarote e rindo do seu dia from hell.
Mas quem me conhece sabe que eu sempre enxergo a luz no final do túnel, o lado ótimo das coisas horríveis e pra me deixar muito puta tem que ser uma coisa realmente importante, tipo family stuffs, emprego sufocante, enfim, problemas que eu considero difíceis de lidar e que me dão muita dor de cabeça. Então que, tendo em vista minha condição, eu fui levando o meu dia de princesa gata borralheira até que bem, pensando que ia acabar logo, que se eu ficasse pensando só nisso ia ser ainda pior e etc.
Bom, vamos aos fatos.
Acordei passando mal. Sabe sensação horrível, meio de ressaca? Pois é, mas eu não bebi uma gota de álcool esse final de semana. Então era sensação de ter comido muita porcaria e tomado a coca grande do Bristol (pra quem não sabe, eu já aviso, vem UM LITRO de coca cola) e dormido pouco. Após o café da manhã, que eu costumo pular por falta de tempo, piorou e eu comecei a ficar enjoada. Mas nada se compara a sensação de entrar em um ônibus lotado, abafado e com um calorão lá fora. Eu senti diversas vezes que o chão sumia dos meus pés.
Passei a manhã só bebendo água, sem o meu amado café, e na hora do almoço fui ao banco.
Sério, a Nossa Caixa é o banco mais inútil que eu já fui. E olha que eu tenho conta em três bancos diferentes (não, não é muito dinheiro, é uma conta de adolescente quando fazia estágio na escola, uma conta poupança que tenho desde pequena e a minha conta universitária que tinha que ser no mesmo banco do meu pai). Eu expliquei para a gerente várias vezes que eu não podia ir até a agência de Mogi Mirim para atualizar meu cadastro porque oi, eu trabalho full time aqui em São Paulo. Mas quem disse que ela tem que me ajudar, né?
Problemas não resolvidos no banco, ao final do expediente eu tinha aula de Francês, mas São Pedro apostou com Deus quem tirava mais com a minha cara e fez cair uma chuva imensa na minha cabeça, e não, eu não tinha um guarda-chuva. E sim, eu tinha outro compromisso depois da aula de Francês. E finalmente eu resolvi aceitar minha condição de boba alegre do dia e desisti da aula. Parei no primeiro ponto de ônibus e vim até a casa do namorado pedir arrego. Abraço fofinho e uma toalha seca melhoram muito o dia, tentem em casa.
Mas como eu não desisto de fato, só dou tempo ao tempo, meu final do dia foi incrível!
Fui para a minha primeira aula de Comunicação e Moda na Escola São Paulo, sob a batuta da Maria Prata, não sem antes pegar trânsito chato e ter que descer e pegar metrô.
Não vou contar como foi senão perde a graça, mas… Sabem a sensação de ter certeza do que você quer fazer?
Eu tive essa sensação pela primeira vez aos 17 anos (ou era 16?), quando ouvi um jornalista falando, apaixonado, sobre a profissão. E hoje senti de novo, ao ouvir Maria falando de coisas tão envolventes e que demandam muita dedicação, estudo, referências, que ai, eu sei. Eu sei o que quero e isso me faz feliz.
Portanto, amigos aí de cima, vocês tentaram, mas no final do dia eu me dei bem ;)

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