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Tipo um feirão de semi-novo

Tô com uma dúvida chatinha por esses dias. Até que ponto a gente sente vontade de algo naturalmente, e a partir de qual ponto a gente sente vontade por influência de outras fontes? Ou as duas coisas estão intimamente ligadas, e tudo o que a gente quer não é um desejo nato, mas uma construção que surge de tudo o que a gente assiste, lê, escuta e tudo mais, aliado a nossa personalidade?

Todo esse primeiro parágrafo por exemplo, só ao escrever, já me fez pensar em um outras coisas, como as “tendências”, que supostamente traduzem as nossas vontades, e também a maneira como as imagens de moda são feitas: elas são feitas primeiramente para inspirar, e fazer nascer uma vontade dentro da gente, ou são ecos do que o mundo está amando?

Sinto que esta discussão é do teor daquela do ovo e da galinha, e eu não chegaria a nenhuma resposta sozinha. Na minha cabeça é todo um círculo, que sai de um ponto e volta a ele mesmo, over and over. Essa semana, inclusive, vou me encontrar com a Carol, que trabalha no WGSN, e super vou tentar entender como isso funciona.

Mas isso tudo surgiu quando vi no Fashionista que a coleção de verão da Prada estampou até agora umas 15 capas de revistas. Update: Hoje a contagem já estava em 48! A coleção de verão da Dolce&Gabbana também está nas paradas de sucesso do mercado editorial, junto com a da Gucci. Temporada passada a gente teve um monte de Miu Miu sendo capa de revista, e na temporada anterior, mais Miu Miu, dessa vez com a coleção de estampas de gaivotas e gatinhos e coisas fofas.

Aí, até um tempinho atrás, eu era ingênua, e achava que as editoras de moda escolhiam um look que fosse emblemático, de uma coleção incrível, que traduzisse as vontades daquela estação. Uma coisa bem incrível assim. Sentia que a parte de escolher look de capa era uma das maiores responsabilidades de uma editora, e uma função social (dentro da moda) bem importante.

Porém, como nem tudo são flores, eu aprendi que a escolha das capas de grandes revistas nada mais é que acordo comercial. A capa de mês X é da LVMH, do mês Y do Grupo Gucci e assim por diante. E não to querendo fazer post denúncia, do tipo “ATENÇÃO, isso acontece e ninguém sabe”. Porque todo mundo sabe, não descobri o terceiro segredo de Fátima.

Muitas vezes a coleção-look é incrível o suficiente para estar numa capa por si só, sem precisar de acordo nem nada, e muitas vezes essa escolha tem mesmo esse apelo de “representar o momento de moda pelo qual o mundo está passando”. Afinal, acho pouco provável que as revistas coloquem uma roupa qualquer-coisa na capa.

Porém, essa superexposição me causa muito mal estar. Com o bombardeio da mesma roupa, que é reproduzida 15 vezes, ao invés de criar desejo em mim, de ter aquela roupa, ou de usar algo minimamente parecido com ela, eu enjôo. A imagem, para mim, não fica forte. Muito pelo contrário, ela banaliza. E o que, no princípio, era para exalar a ideia de exclusividade, vira feirão do semi-novo.


Imagem do blog Damas com Pimenta

Há um tempo, li um livro chamado “Deluxe – Como o luxo perdeu o brilho”, que falava que as bilionárias do mundo, aquelas que realmente consomem o que é apresentado na passarela, só compram roupas que não foram usadas por nenhuma celebridade ou tenha saído em capa de revista. Elas querem o exclusivo, elas querem o que vai fazê-las se sentirem especial, e não necessariamente algo que você vai usar e o salão de baile inteiro vai listar as 12 capas e 7 celebridades que também usaram a mesma coisa que você.

Acho que esse post é muito ranzinza, mas é que me incomoda quando as coisas são feitas até seu esgotamento, especialmente porque a moda, pra mim, tem a ver com respiro de ar fresco. Sempre me pego pensando, tem TANTA coleção com peça incrível sendo desfilada nas quatro principais semanas de moda do mundo (tirando BR, que também tem muita coisa legal), com idéias diferentes, que falam com públicos diferentes, mas que também representam o nosso tempo, se tem tanta opção, por que escolher sempre os mesmos cinco?

Me parece que o povo do marketing das marcas tá dando um tiro no próprio pé com tanta exposição. Porque até pode dar certo agora, mas acho, e espero do fundo do meu coração, que uma hora a maioria vai cansar dessa banalização, desse enfraquecimento, e vai querer voltar a ser diferente, ao invés de usar o uniforme da estação.

Ou será que todo mundo quer andar uniformizado?

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Uma roupa sem história é só uma roupa

Quando vi este editorial pela primeira vez, não sabia qual o título dele. Olhei as fotos uma, duas… várias vezes. É comum, quando eu gosto muito de uma foto, um texto ou qualquer coisa, que eu fique vendo e revendo over ‘nd over again. É como se eu quisesse sugar o máximo possível da essência de tudo aquilo, como se eu pudesse pegar um pedacinho do que aquilo tem de mais tocante e especial.

Aí revi esse editorial e fiquei imaginando a história dele. Essa é outra mania minha, de olhar as fotos e tentar adivinhar a situação, o porquê a modelo tá com aquela maquiagem, aquela expressão, de onde ela veio, pra onde ela vai… Acho muito divertido!

(Eu já saí do assunto desse editorial DUAS vezes, vou tentar manter o foco, haha)

Bom, aí Jessica Stam, que é a modelo do editorial, tava com um semblante meio triste e roupas incríveis, e  achei a imagem tão linda e tão solitária ao mesmo tempo. Ela tava lá, maravilhosa, mas com um vazio nos olhos de gente que parece que tem amigos mas não tem ninguém, sabe?

Depois descobri o nome do editorial, que é “After Hours”, veiculado na edição de novembro/2010 da Vogue UK, o que reforçou minha ideia. Na minha cabeça, Jessica Stam é (na história do editorial!) bela, saí, arrasa nas festas e jantares e volta pra casa sozinha e triste, sem ninguém pra dizer boa noite.

E esse vazio acompanha a moça em todos os momentos do seu dia.

E eu gosto de achar beleza na tristeza, na solidão e no vazio.

Achar beleza na felicidade é fácil. Ela pula aos nossos olhos, exala pelos poros, ela tá no brilho do olhar.

Mas tristeza, assim como cara inchada de choro, não é bonita. Não à primeira vista.

After Hours
Fotógrafa: Lina Scheynius

Styling: Bay Garnett

Modelo: Jessica Stam

Brilho em cima, brilho embaixo. Cinto opaco no meio que acalma o  ”Dancing Days” do look. E tem esse tule, na saia, um detalhe tão pequeno, mas que faz uma diferença no resultado. A blusa e o cinto são Louis Vuitton, a saia, Balenciaga (god bless Nicolas Ghèsquiere!).

Eu sou fã da Miu Miu, portanto qualquer coisa menor que “Ó deus, que lindo”, seria mentira. Esse vestido, ou esse padrão de vestido (Miu Miu) tem estampado capas de revistas e uma enxurrada de editoriais pelo mundo. Fica um tanto chato, afinal, o legal na moda não é a novidade?  Mas o vestido não deixa de ser bonito. E o sapato, salto grosso que tá super “em voga”, é Louis Vuitton.

Fico meio boba com como uma situação tão vida real pode despertar desejo de moda. Ela tá tomando água. Tipo, todo mundo faz isso! E eu gosto das luzes da foto. Você vê que é de manhã, o sol batendo na parede, dá vontade de sair e ficar tomando esse sol. O casaco é Moschino Cheap and Chic e o vestido (lindo!) é Alberta Ferretti.

Essa é uma das fotos que mais me dão um nó na garganta. É quase como ela estivesse pedindo que alguém olhe pra ela, de verdade, e não superficialmente. Pra que alguém a entenda, a acalente. A faça feliz. E o vestido, Valentino, exala uma aura de intimidade, por causa dessas rendas e transparências, como se estivéssemos vendo o íntimo dela.

Acho rico como o stylist fez um look monocromático sem ser chato. Tanto brilho pode ficar um tanto over, mas vamos lá, é um editorial de moda! haha. Eu gosto que é verde e não preto (porque é mais fácil fazer look monocromático e com brilho e textura se for preto), e que me lembra um pouco o militarismo, especialmente pelo cinto grosso. A camisa, que imita uma estampa de leopardo, é Roberto Cavalli e a calça é Isabel Marant.

Outra foto com luz linda! E acho fofo/engraçadinho que tem uma almofada com leopard print, outra com um tigre e um gatinho (de verdade!) ao lado dela, tipo a cama dos felinos haha. Não dá pra ver com clareza, mas ela usa um vestido Christopher Kane e por cima dele uma blusa de chiffon Alberta Ferretti.

Sozinha. Linda, loira e bem vestida, mas sozinha. Aqui vale uma reflexão (haha), de que a roupa pode não ser nada, não significar nada, a não ser que você viva momentos memoráveis dentro dela. Bora levar a roupa bonita passear e ser feliz com ela? ;) Aqui, o top é Dolce&Gabbana e a saia é Chanel.

Alexa Chung disseminou a ideia de usar shortinhos, tipo de ciclistas mas com renda, na vida. Eu não gosto, acho que quase ninguém no mundo fica bem com essa peça. Mas olha só como na modelo fica bom, né? Mas acho ótima a ideia, de blusa, Yves Saint-Laurent, cheia de informação, com parte de baixo, Erdem, quase sem nada. Isso dá pra todo mundo adotar!

Outra imagem que me dá nó na garganta. Dá vontade de dar um abraço nela, e falar que tudo vai ficar bem, não dá? E não é só o olhar, mas toda a expressão corporal, o jeito que ela segura os dedos, que me lembra insegurança. E nas roupas, um monte de textura diferente. Veludo, transparência, renda, cetim (parece cetim, será que é?). Mil coisas acontecendo no look, mas nada na vida dela. A blusa é D&G e a saia, Versace.

E por último, minha imagem preferida. Aqui, aparentemente, pela primeira vez ela resolve sair do marasmo, da auto-piedade. E os componentes da foto (livros, vaso de flor, abajur) me parecem tão familiares. Tão atingíveis. A blusa é Oscar de la Renta e a saia é Blumarine.

 

Bom resto de domingo pra todos :)

 

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Dakota, um exemplo de menina!

Eu AMO a Dakota Fanning. Acho que ela é uma atriz muito promissora e sem afetação. E eu amo que ela só tem 16 anos, e não fica querendo parecer mais velha ou forçando a barra. E ela se veste de um jeito bem fofo!

Tudo isso porque hoje foi publicada uma matéria minha sobre o figurino de The Runaways no FFW, onde ela interpreta Cherie Currie, a vocalista de “The Runaways” (assistam, o figurino é ótimo, a atuação dela tá incrível e é bem legal),  e aí dando uma olhada em fotos da garota, encontrei uma foto do look que ela usou para assistir ao desfile da Miu Miu (marca que eu amo muito muito).

Eu achei muita lindeza. O vestido é uma graça, e por causa do couro, tem um apelo fetichista bem grande. Como Dakota tem 16 anos e não quer fazer a Miley Cirus, ela jogou o cardigan por cima, que ‘acalmou’ o vestido e ainda acrescentou mais interessância (?) com o jogo de ton sur ton.

Sério, uma graça sem fim esse look. O vestido é muito, muito maravilhoso. O bolso é demais, a barra é demais,  cintinho é demais. Enfim. Amei.

E dois looks de brinde, que mostram como a garota salpica doses de estilo nas roupas do dia-a-dia, sem afetação, mais muito legal.

Acho o máximo o jeito que ela mostra que dá para uma garota novinha se vestir de um jeito legal, sem forçar a barra da sensualidade, ou do over, e fugindo do sem-graça que é o jeito que a maioria dos adolescentes se vestem.

Aqui parece que não tem quase nada, mas tem um monte de coisa! Tem mix de textura do poncho com a bolsa, tem tom sobre tom de novo, tem um frescor na cor da bolsa e tem esse sapato maravilhoso. Dakota, arrasou!

E aqui de novo! Ela  faz a linha básica, mas não é chata. Acho o máximo. Em outra foto eu vi que a camisa que ela tava usando por baixo desse casaco era meio oversized, bem bonita. Poucos tons, tudo bem harmônico, mas o salto e o brilho do sapato, junto com a animal print, deixam a produção ótima.

E mesmo que ela seja novinha, as ideias de estilo dela são super usáveis pra todo mundo, de qualquer idade.

Um beijo Dakota, te amo!

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Modern Love

Editoriais de moda são, na minha concepção, metáforas da moda. É onde o pessoal criativo como os editores, stylists, diretores de arte, fotógrafos, produtores e etc montam uma imagem de moda, que inspira e nos faz sonhar (ou refletir, como nesse Water&Oil da Vogue Italia).

Aí, como numa metáfora mesmo, a gente interpreta aquela imagem. Não é literal, não é para sair daquele jeito na rua (mas se quiser sair, somos todos livres!). Eu sempre ouço pessoas falando “Mas nessas revistas as fotos são muito malucas, ninguém anda daquele jeito!”. E é difícil mesmo, especialmente no Brasil, nos depararmos com pessoal montado. Mas a intenção não é essa, muito pelo contrário. Acho que quanto mais forte a imagem de moda (e às vezes, mais longe da realidade), mais e mais interessante, e instigante, é o trabalho final. Cito novamente o editorial da Vogue Italia, com o link ali em cima.

“Modern Love”, um dos meus editoriais favoritos dos últimos tempos, foi veiculado na Interview de Agosto (aquela com a Marion na capa), que o Augusto, meu chefe, trouxe para mim da sua última viagem, e eu tô muito apaixonada! A imagem é forte, mas deliciosa. Amo o constraste entre a Freja delicada, de vestidinhos, mas com olhão e cabelo poderosos, ao lado do Dan, super fashionista-rocker.

Eu, particularmente, acho incrível casais que ‘combinam’. É meio uó a menina tipo com salto, roupa arrumadinha, ao lado de um cara de chinelo de dedo e camiseta furada. Acho feio!

Diarinho mode on: Eu tenho orgulho do meu namorado, que se preocupa em se vestir bem, vê fotos de street style e até uns blogs de moda, e a gente sempre tá ‘no mesmo nível’ (oi?) de montação. Acho fofo!

Anyway, além da coisa ‘casal fashionista’, reparem nos vestidos, bolsas e sapatos da Freja. São de morrer! A maioria dos sapatos, aliás, são da nova coleção da Miu Miu, que tem emplacado hit atrás da hit! Quem não lembra das estampas das gaivotas, gatinhos e corpos humanos nus?

MODERN LOVE

Interview August 2010

Não fiz nenhum comentário porque todos iam ser: “Que lindo, quero pra mim!” ; )

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