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It’s Hard To Get Around

Já dizia alguém mais sábio do que eu: “Nunca diga ‘desta água não beberei’”. Muito válido.

Por isso, meus caros, esse blog agora volta (sim, volta) a ter foto da dona em tamanho grande vestindo umas roupinhas e fazendo pose pro namorado. O tal do “look do dia”, sabe como?

Eu explico! Não endoideci, nem to querendo faturar uma grana com jabá de marca, mas aprendi que se a gente quer uma coisa e não acha, a gente mesmo faz. Por isso, o retorno dos looks do dia. Quem me conhece sabe que eu tenho minhas ressalvas quanto a blogs de look do dia e eu tenho mesmo.

Acho que blog apenas com fotos das escolhas diárias de uma pessoa não faz com que seja um blog de moda, assim como um monte de papel com foto de roupa não faz com que seja revista de moda. É outra coisa, entende?

Dito isso, o que eu pretendo é continuar – esporadicamente, porque tempo tá escasso igual ararinha azul – meus textos aqui, minhas fotos de editoriais bonitos, e acrescentar as minhas fotos aqui. Explico: Acho que tem pouco (ou eu conheço pouco) blog brasileiro com look do dia de gente normal. Sabe gente que vai pro trabalho, vai pra aula, pega ônibus, passa calor no meio do caminho, compra parcelado e repete roupa? Então.

Pouco me interessa gente que tem dinheiro a dar com o pau _e ainda ganha roupa que nem água_, tem escritório em casa e toda vez que sai é pra ir a uma ‘evento de lançamento’. Isso não é minha realidade e isso não me inspira.

Daí conversando por aí, pensei que eu mesma podia fazer isso, até pra exercitar mais meu “estilo pessoal” (acho essa expressão meio blé, mas enfim) e ser mais criativa. Tipo a Joanna, do “Um Ano Sem Zara”, uma das mulheres que mais me inspira nesse mundo de blogs. E né, só o fato dela ser vida real, ter um trabalho normal e escrever mais que 5 palavras (excluindo os créditos da vestimenta) por post já é motivo pra inspiração.

Então chega de lenga-lenga, vamos re-estrear (dá pra ver o que eu já postei há um tempão aqui ó) a tag. E sim, disfarço câmera cybershot com efeito vintage. E um beijo pro David, que pacientemente tirou todas as fotos do post : )

~

It’s like you’re trying to get to heaven in a hurry
And the queue was shorter than you thought it would be
And the doorman says, “you need to get a wristband”

Looking for a new place to begin
Feeling like it’s hard to understand
But as long as you still keep pepperin’ the pill
You’ll find a way to spit it out, again

And even when you know the way it’s gonna blow
It’s hard to get around the wind.

{It’s Hard To Get Around – Alex Turner}

Expressão de naturalidade na face, só que não.

Tava meio chovendinho, mas ainda assim a gente foi tomar um café porque faz tempo que a gente não sai, já que eu tô fazendo uma dieta há pouco mais de um mês cheia de restrições (e jantar/almoçar/etc fora não ajuda muito no processo). Mas hoje a gente foi em um lugar aqui perto, pra poder ir andando e de guarda-chuva. O Dá disse que o brownie tava uma delícia e essa taça toda chique é um café com suco de limão e mais coisas gordas e gostosas, que ele também aprovou. O meu é um cappuccino com leite desnatado (\o/), porque sou clássica.

A camisa de xadrez vichy é aquisição de hoje mesmo (eu não tinha nenhuma camisa xadrez :o), e pra não ficar caipirinha eu misturei com saia bem de menina, com tecido mais arrumadinho, e oxford porque afinal eu ia andar na rua molhada. Fazia um tempão que eu não usava rabo de cavalo, daí me empolguei com a delineador e a camisa e fiz um rabo alto, com um topetinho tímido. A referência do David é que eu tava “meio Mad Men”. Então tá :)

Bisous ;*

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Uma roupa sem história é só uma roupa

Quando vi este editorial pela primeira vez, não sabia qual o título dele. Olhei as fotos uma, duas… várias vezes. É comum, quando eu gosto muito de uma foto, um texto ou qualquer coisa, que eu fique vendo e revendo over ‘nd over again. É como se eu quisesse sugar o máximo possível da essência de tudo aquilo, como se eu pudesse pegar um pedacinho do que aquilo tem de mais tocante e especial.

Aí revi esse editorial e fiquei imaginando a história dele. Essa é outra mania minha, de olhar as fotos e tentar adivinhar a situação, o porquê a modelo tá com aquela maquiagem, aquela expressão, de onde ela veio, pra onde ela vai… Acho muito divertido!

(Eu já saí do assunto desse editorial DUAS vezes, vou tentar manter o foco, haha)

Bom, aí Jessica Stam, que é a modelo do editorial, tava com um semblante meio triste e roupas incríveis, e  achei a imagem tão linda e tão solitária ao mesmo tempo. Ela tava lá, maravilhosa, mas com um vazio nos olhos de gente que parece que tem amigos mas não tem ninguém, sabe?

Depois descobri o nome do editorial, que é “After Hours”, veiculado na edição de novembro/2010 da Vogue UK, o que reforçou minha ideia. Na minha cabeça, Jessica Stam é (na história do editorial!) bela, saí, arrasa nas festas e jantares e volta pra casa sozinha e triste, sem ninguém pra dizer boa noite.

E esse vazio acompanha a moça em todos os momentos do seu dia.

E eu gosto de achar beleza na tristeza, na solidão e no vazio.

Achar beleza na felicidade é fácil. Ela pula aos nossos olhos, exala pelos poros, ela tá no brilho do olhar.

Mas tristeza, assim como cara inchada de choro, não é bonita. Não à primeira vista.

After Hours
Fotógrafa: Lina Scheynius

Styling: Bay Garnett

Modelo: Jessica Stam

Brilho em cima, brilho embaixo. Cinto opaco no meio que acalma o  ”Dancing Days” do look. E tem esse tule, na saia, um detalhe tão pequeno, mas que faz uma diferença no resultado. A blusa e o cinto são Louis Vuitton, a saia, Balenciaga (god bless Nicolas Ghèsquiere!).

Eu sou fã da Miu Miu, portanto qualquer coisa menor que “Ó deus, que lindo”, seria mentira. Esse vestido, ou esse padrão de vestido (Miu Miu) tem estampado capas de revistas e uma enxurrada de editoriais pelo mundo. Fica um tanto chato, afinal, o legal na moda não é a novidade?  Mas o vestido não deixa de ser bonito. E o sapato, salto grosso que tá super “em voga”, é Louis Vuitton.

Fico meio boba com como uma situação tão vida real pode despertar desejo de moda. Ela tá tomando água. Tipo, todo mundo faz isso! E eu gosto das luzes da foto. Você vê que é de manhã, o sol batendo na parede, dá vontade de sair e ficar tomando esse sol. O casaco é Moschino Cheap and Chic e o vestido (lindo!) é Alberta Ferretti.

Essa é uma das fotos que mais me dão um nó na garganta. É quase como ela estivesse pedindo que alguém olhe pra ela, de verdade, e não superficialmente. Pra que alguém a entenda, a acalente. A faça feliz. E o vestido, Valentino, exala uma aura de intimidade, por causa dessas rendas e transparências, como se estivéssemos vendo o íntimo dela.

Acho rico como o stylist fez um look monocromático sem ser chato. Tanto brilho pode ficar um tanto over, mas vamos lá, é um editorial de moda! haha. Eu gosto que é verde e não preto (porque é mais fácil fazer look monocromático e com brilho e textura se for preto), e que me lembra um pouco o militarismo, especialmente pelo cinto grosso. A camisa, que imita uma estampa de leopardo, é Roberto Cavalli e a calça é Isabel Marant.

Outra foto com luz linda! E acho fofo/engraçadinho que tem uma almofada com leopard print, outra com um tigre e um gatinho (de verdade!) ao lado dela, tipo a cama dos felinos haha. Não dá pra ver com clareza, mas ela usa um vestido Christopher Kane e por cima dele uma blusa de chiffon Alberta Ferretti.

Sozinha. Linda, loira e bem vestida, mas sozinha. Aqui vale uma reflexão (haha), de que a roupa pode não ser nada, não significar nada, a não ser que você viva momentos memoráveis dentro dela. Bora levar a roupa bonita passear e ser feliz com ela? ;) Aqui, o top é Dolce&Gabbana e a saia é Chanel.

Alexa Chung disseminou a ideia de usar shortinhos, tipo de ciclistas mas com renda, na vida. Eu não gosto, acho que quase ninguém no mundo fica bem com essa peça. Mas olha só como na modelo fica bom, né? Mas acho ótima a ideia, de blusa, Yves Saint-Laurent, cheia de informação, com parte de baixo, Erdem, quase sem nada. Isso dá pra todo mundo adotar!

Outra imagem que me dá nó na garganta. Dá vontade de dar um abraço nela, e falar que tudo vai ficar bem, não dá? E não é só o olhar, mas toda a expressão corporal, o jeito que ela segura os dedos, que me lembra insegurança. E nas roupas, um monte de textura diferente. Veludo, transparência, renda, cetim (parece cetim, será que é?). Mil coisas acontecendo no look, mas nada na vida dela. A blusa é D&G e a saia, Versace.

E por último, minha imagem preferida. Aqui, aparentemente, pela primeira vez ela resolve sair do marasmo, da auto-piedade. E os componentes da foto (livros, vaso de flor, abajur) me parecem tão familiares. Tão atingíveis. A blusa é Oscar de la Renta e a saia é Blumarine.

 

Bom resto de domingo pra todos :)

 

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