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O que eu usei nas semanas de moda

Sabe gente que espera o burburinho passar pra falar do assunto? Então, sou dessas. O Fashion Rio e o SPFW aconteceram há um mês e será agora, amigos, que eu vou mostrar aqui o que eu usei pra ir trabalhar nesses dias de “maratona fashion” (#clichêsfashionistas).

A primeira coisa que eu penso antes de me vestir pra Fashion Rio e São Paulo Fashion Week é que é trabalho. Apesar de ser um ambiente cheio de experimentações, possibilidades e olhares mais permissivos, continua sendo trabalho para muita gente. Então não dá pra achar que é a festa do cáqui e que liberou geral. Tem que rolar um bom senso e lembrar que a gente tá trabalhando e representando nosso veículo.

Tem uma coisa que eu acho importante, que é meio diferente do que acabo lendo por aí em época de fashion week, que é não vestir uma coisa maluca “só porque é semana de moda”. Gosto de experimentar e até dar uma ousadinha, mas sei lá, como já disse, é onde eu trabalho, aí não vou usar uma coisa maluca “porque é permitido” e aí tenho que entrevistar a Costanza, sabe?

E, além disso, eu tenho 22 anos, cara de menininha, mas não sou mais estagiária, então eu gosto de elevar um tiquinho a sofisticação e ‘interessância’ do que eu visto, por causa de seriedade mesmo. Do tipo “ó, sei que eu tenho essas bochechas enormes e tô sempre sorrindo, mas o negócio aqui é sério!”. Mas eu não deixo de ser novinha não, até porque a vida é muito curta pra gente ficar pulando etapas e querer parecer muito mais velha. É só um pouquinho mais arrumadinha e elegante ;)

Daí meu raciocínio é basicamente esse. Penso também no conforto – mas eu acho salto confortável, então né – e em coisinhas que vão transparecer traços da minha personalidade e é isso.

Eu não tenho foto de um dos dias de Fashion Rio, mas é a mesma roupa que a Babi fotografou esses dias e vou postar daqui a pouco (lenda urbana)! Pronto, chega de lero-lero!

(foto da Carol Lancelloti pro Fashionismo)

Eu gosto muito de saias longas, e acho que quase sempre elas deixam a gente com jeito de arrumadinha, sem muito esforço. Dá pra ficar hippie também, mas tudo depende da sua saia (e de você). Também acho que pra ajudar nessa ideia de “arrumada”, vale um sapato com salto, já que na minha cabeça rasteiras dão uma informalizada. Aí uma camisetinha pra deixar jovial e uma super cara de cansada ;)

(foto da Gabriela Dourado pro Diário do Nordeste)

O macacão de bolinhas foi o escolhido do dia 02. Eu acho essa peça uma graça, e comprei há um tempão lá no interior, e agora todo mundo tá usando coisas assim, tipo pijaminha~conjuntinho, né? Eu só tinha usado uma vez, e desisti porque achava que me deixava mais gordinha. Daí eu perdi meus dez quilos, vários centímetros de silhueta e fiquei confiante pra usá-lo de novo (quase, né, eu perguntei pra um monte de gente querida se o macacão não me engordava hihihi). Coloquei uma espadrille, mas agora acho que ficaria melhor com outro sapato. Quando usar de novo faço o teste. E aí delineador + batom vermelho pra não deixar o negócio só ficar engraçadinho.

(foto do Luiz Henrique Nascimento pro Ego-Heloísa Marra | No RIOetc também têm fotos de detalhes)

Esse vestido-camisa foi uma surpresa muito boa pra mim. Eu comprei como blusa, no lookbook da Farm tá como blusa (e shorts e biquíni, porque eles sugerem usar na praia e tal, abertinha), a vendedora tava usando como blusa e aí eu nunca achava um jeito interessante e que tivesse a ver comigo pra usar. Daí levei na mala com o pensamento “qualquer coisa uso de saída de praia se não surgir nenhuma inspiração”. Eis que surgiu e eu inventei de fechar a golinha e botar o ‘laço-cintinho’ pra trás e não na cintura. Um colarzão e sapatos poderosos e pronto, nada de look com cara de saída de praia. Foi um dos meus preferidos!

(foto do Lucas Landau, esse fofo)

O look do ♥! Foi meu preferido de todos os dias. Tudo começou com essa pantalona (muita gente me perguntou de onde era a ‘saia’, mas é calça!), amor à primeira vista. Ainda não tinha usado, então levei na mala, pensando em usar com uma parte de cima mais informal. Acontece que chegou no último dia e eu queria usar uma coisa bem bonita, pra me despedir do Rio à altura. Então fiz o combo “rica do balneário”, com uma sandália bem alta (que usei no ano novo e esqueci de postar o look, yey! Mas é essa aqui), a dita da calça e a camisa militar, que embora não dê pra ver, tem detalhes em pérolas, nos botões e nos ombros. E antes que venham falar que a calça tava arrastando no chão (e me botarem lá no Blogueira Shame), não tava, hein! Até parece que eu ia deixar a barra da minha alça preferida estragar hihihi

* o único dia em que eu não prendi o cabelo eu não tenho a foto \o

(foto do Lucas Landau)

Essa foto prova duas coisas: que eu já parei minha dieta e tava no momento muffim e que eu uso calça jeans (Luigi disse que isso não é calça jeans, mas é brim, que quase configura calça jeans, né? haha). Acontece que eu só tenho essa calça, e é de longe a minha menos preferida peça de roupa. Não sou do jeans, definitivamente. Aí quando eu uso tento não deixar com cara de ‘jeans e camiseta’. A estratégia do dia foi outra camisa _que tem um decote com o qual eu estou me acostumando hihi_ e esse scarpin que é um acontecimento.

(foto do Bruno Castro, pro Vista Sim)

O nome desse look é ~cara de pata~ (expressão que aprendi com a Cacau Araújo haha)! Ó, pra comprovar que eu tô numa fase saias longas – e plissadas – a da vez foi a azul, que é transparente, com aquela sainha mini por baixo. Aí pensei em como usar pra não ficar o mesmo look lá do primeiro dia de Fashion Rio, e resolvi ir pelo caminho contrário, e ao invés de usar uma camiseta mais largadinha, escolhi a camisa (a mesma do último dia de FR), fechadinha e por cima da saia, que cria proporções que eu gosto muito. Ah, nesse vídeo, lá no finzinho, tem eu falando sobre essa roupa #vergonha #vozdepata

(foto do Yvan Rodic, pro Face Hunter)

 Queria pernas de fora, mas queria pernas de fora com elegância, haha. Aproveitei pra estrear esse shorts fofotodavida, e que é de um tecido mais “chiquezinho”, hahaha, e coloquei uma camisa de seda branca, dessas bem clássicas. Como blazer é um elemento que super formaliza um look (que palavrinha, hein? tem sinônimo, alguém sugere?), escolhi logo um pink, pra ser formal e fashionista (!!!) e feminina ao mesmo tempo :)

(foto do Lucas Landau)

Entortei o pé ao ponto do sapato estar fugindo de mim, veja bem. Nesse dia era domingo, e amanheceu com mormaço, o que me fez achar que ia esfriar um pouquinho. Não esfriou e eu passei calor, mas o suéter metalizado (tem um detalhe de pertinho dele aqui) fez sucesso. No quarto dia de SPFW eu já tava vendo que a coisa do metalizado tava rolando muito, e quis aproveitar e fazer um mix com o suéter e a camisa que coloquei por baixo, douradona. Como tava pesado o suficiente em cima, escolhi uma sainha leve e cheia de movimentos. Aí pra não ficar tão caretinha, escolhi o sapato de oncinha.

(foto do Lucas Landau)

 Ó o vestido-camisa aí de novo, mas fazendo as vezes de camisa mesmo, e sem gola fechada, hahaha. Mas comecei com a saia, meu xodó. E como eu já tinha usado praticamente todas as camisas disponíveis na minha arara _e não queria colocar uma camisetinha_ pensei em usar o vestido de um jeito diferente. Eu gostei muito, achei que as cores ficaram super harmoniosas. E ó, foi com esse look que eu fui fotografada pro editorial da Criativa. Dá pra ver aqui.

(foto do Lucas Landau)

O principal aqui era: SHOW DA FLORENCE! Saindo da Bienal eu iria direto pro Anhembi assistir a minha cantora preferida (ainda viva haha), então a escolha tinha que ser confortável de verdade, pra pular, ficar no meio das pessoas e tal. Mas não dava pra esquecer que tinha trabalho antes. Daí escolhi o shorts de moletom, que é hiper confortável, mas tem esse corte de alfaiataria e a cintura alta _e eu acho cintura alta uma coisa elegante_ e essa camisa de bolinhas, feminina e arrumada na medida, e com um pouquinho de ousadia, afinal, eu ia pra um show depois, na transparência. Nos pés, meu fiel companheiro, o oxford.

E assim acaba o post mais comprido da história da categoria ‘look du jour’, que deveria mudar de nome pra ‘looks des jours’, haha. Espero que vocês tenham gostado e não tenham dormido enquanto liam minhas descrições.

Bisous,

Stephanie Noelle

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Born to be wild

Yeah, darling, gonna make it happen
Take the world in a love embrace
Fire all of your guns at once and
Explode into space

Like a true nature’s child
We were born, born to be wild
We can climb so high
I never want to die

{Born To Be Wild – Steppenwolf}

Eu sou do interior. Nasci, cresci, passei dois anos da minha infância em uma cidade grande (oi Goiânia!), voltei e saí aos 19 anos, pra estudar em São Paulo, e pra voltar só assim, quando a saudade já tá que não se agüenta. Ou no final do ano, época mais querida por mim do ano todo, quando acontecem os eventos mais legais do ano: Natal, Ano Novo e o mais importante de todos, meu aniversário (RÁ)!

Todo esse nariz de cera para contar que estou no interior! E equipada com duas malas enormes e mais uma só pra sapatos (exagero, teu nome é Stephanie), meio de férias de tudo – logo vocês vão saber novidades hihihi – e cheia de vontade de usar roupas lindas e legais todos os dias, ler muito, ver vários filmes e escrever bons posts, haha.

A escolha de hoje tinha a ver com funcionalidade, já que saí com mamãe pra fazer mil coisas e ela tem uma moto! Até dá pra usar saia na garupa (que palavra mais engraçada!), mas hoje eu queria conforto, então escolhi os shorts e minha camiseta preferida, que ganhei de uma pessoa muito querida (beijo André!), tem uma estampa super legal e tá escrito embaixo “Born to be Wild”, música e lema da vida \o. E aí achei que ia ficar divertido usar camiseta com animal estampado e mocassim com estampa animal. E como eu sou bem menininha, botei um batom vermelho e um óculos de gatinho ;)

Você que é novo por aqui, ou habitué da casa, e não tá entendendo o porquê do look du jour, clica aqui e entenda tudo.

E amanhã, tchan tchan tchan, é o meu aniversário de 22 anos! Bolo, guaraná e muitos doces pra todo mundo!

Au revoir!

ps: beijos e obrigadas pra mamãe, que tirou as fotos de hoje!

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Dakota, um exemplo de menina!

Eu AMO a Dakota Fanning. Acho que ela é uma atriz muito promissora e sem afetação. E eu amo que ela só tem 16 anos, e não fica querendo parecer mais velha ou forçando a barra. E ela se veste de um jeito bem fofo!

Tudo isso porque hoje foi publicada uma matéria minha sobre o figurino de The Runaways no FFW, onde ela interpreta Cherie Currie, a vocalista de “The Runaways” (assistam, o figurino é ótimo, a atuação dela tá incrível e é bem legal),  e aí dando uma olhada em fotos da garota, encontrei uma foto do look que ela usou para assistir ao desfile da Miu Miu (marca que eu amo muito muito).

Eu achei muita lindeza. O vestido é uma graça, e por causa do couro, tem um apelo fetichista bem grande. Como Dakota tem 16 anos e não quer fazer a Miley Cirus, ela jogou o cardigan por cima, que ‘acalmou’ o vestido e ainda acrescentou mais interessância (?) com o jogo de ton sur ton.

Sério, uma graça sem fim esse look. O vestido é muito, muito maravilhoso. O bolso é demais, a barra é demais,  cintinho é demais. Enfim. Amei.

E dois looks de brinde, que mostram como a garota salpica doses de estilo nas roupas do dia-a-dia, sem afetação, mais muito legal.

Acho o máximo o jeito que ela mostra que dá para uma garota novinha se vestir de um jeito legal, sem forçar a barra da sensualidade, ou do over, e fugindo do sem-graça que é o jeito que a maioria dos adolescentes se vestem.

Aqui parece que não tem quase nada, mas tem um monte de coisa! Tem mix de textura do poncho com a bolsa, tem tom sobre tom de novo, tem um frescor na cor da bolsa e tem esse sapato maravilhoso. Dakota, arrasou!

E aqui de novo! Ela  faz a linha básica, mas não é chata. Acho o máximo. Em outra foto eu vi que a camisa que ela tava usando por baixo desse casaco era meio oversized, bem bonita. Poucos tons, tudo bem harmônico, mas o salto e o brilho do sapato, junto com a animal print, deixam a produção ótima.

E mesmo que ela seja novinha, as ideias de estilo dela são super usáveis pra todo mundo, de qualquer idade.

Um beijo Dakota, te amo!

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Lookbook Maje e uma (pequena) reflexão sobre a moda brasileira

Maje, lookbook fall 2010-2011

ps: clicando nas fotos, elas aumentam!

Vermelho, ao lado do marinho, é minha cor preferida. E achei todas essas maneiras de usar a cor absolutamente apaixonantes. Até a meia-calça, que eu tenho e usei apenas algumas vezes, se torna mais usável e menos ‘fantasia’. O look da calça de couro vermelha é meu preferido de todo o lookbook. É tão cool&chic, que não sei nem descrever.

Tenho ressalvas com metálicos, mas olha que jeitos legais de usar! Em nenhuma das produções a modelo parece uma louca da boate, mas uma menina muito moderninha e chic. Fiquei impressionada.

(ps chato: calça de couro e essas calças metálicas, infelizmente, só ficam bem nas magrinhas e altas :~)

Tô com cada vez mais vontade de usar visuais assim, meio masculinos, meio Annie Hall. Mas para esse tipo de produção é preciso de roupas cortadas impecavelmente, não dá pra ser de fast-fashion. Alfaiataria é coisa séria! (haha)

O couro tá tão, mas tão nas paradas que eu já tô enjoando dele. Kate Moss usa couro há tantos anos, e só agora o pessoal resolveu falar que é o último grito da moda. Acho que o mais legal é tentar montar looks não óbvios. No último Fashion Rio, por exemplo, vimos um batalhão de meninas de vestidinhos leves e jaqueta de couro. Embora isso parece não óbvio a primeira vista, já é uma combinação que se tornou comum. Então temos que exercitar a criatividade, e colocar o couro em looks diferentes!

Aqui, várias ideias legais para os dias friozinhos. Meia cinza, e não preta, bota ankle por cima da calça, e não aquela que a gente já cansou de ver nas ruas, parka pesadona por cima de vestido levinho.

AMO oncinha, amo, amo. Mas discordo (haha) do primeiro look, porque na minha cabecinha, só uma pessoa muito evoluída consegue usar transparência e oncinha sem ficar over. Então, um ou outro. Oncinha com camel (essa cor bege mais escura) é maravilhosa, beijos.

Pluma é tipo paetê, pra mim. Tem gente que acha que só pode usar de noite, tem gente que acha muito ousado usar a qualquer hora, e tem gente que usar sempre. Eu sou do último tipo. Sou da opinião que é o toque extra-mágico para as produções do dia-a-dia. E usando com parcimônia (ou seja, deixe só aquela peça chamar atenção), traz muito mais interessância.

A mulher por trás da Maje é a parisiense Judith Milgrom, que a criou em 2000. O nome pode ser soar completamente estranho para vocês (soou pra mim da primeira vez que li, também), mas é sabido que nas ruas de Paris as criações de Madame Milgrom, que nasceu no Marrocos, fazem sucesso.

O motivo, pelo que andei pesquisando, é que lá se encontram peças atemporais, com um ou outro toque ‘trendy’. E as parisienses, que são mais chegadas em um look mais ‘effortless’, compram, e muito, a ideia.

O conceito da marca é fazer peças para todos os momentos do dia, criando hype sem perder a alma, oferecer uma visão mais feminina e reintegrar o vestido como uma peça indispensável no guarda-roupa.

Além disso, Milgrom propõe, como uma das coisas mais importantes de sua marca, oferecer uma linha de roupas entre os inacessíveis designers e as impessoais H&M e Zara. Os preços, entretanto, não são acessíveis a todos, mas dizem as boas línguas que vale cada centavo.

Particularmente, acho ótimo quando um designer leva a sério sua proposta de oferecer moda a um preço acessível ao seu público.

Aí, pensando nisso, me veio o panorama do Brasil.

Aqui sofremos muito com isso, especialmente, pois os designers parecem se esquecer de quem é seu público.

Como assim? Quando perguntamos ao estilista quem é a mulher (ou o homem) que veste sua marca, a resposta é (quase) sempre a mesma: Uma mulher sofisticada (e sofisticada não quer dizer rica, no real significado do palavra), que sabe reconhecer a qualidade e o design de uma peça.

E eu me pergunto: Há tantas mulheres (e homens) com essas características no Brasil? Eu digo, com dinheiro o suficiente pra comprar todas as coleções dos designers brasileiros?

Sinceramente, uma grande parcela desse público prefere viajar e gastar seu dinheiro numa peça importada, do que gastar quase o mesmo tanto numa peça brasileira, muitas vezes com qualidade duvidosa.

Não é questão de subestimar a moda brasileira, nada disso.

Uma das coisas, chatas, de se pensar, é que boa parte dos consumidores ainda tem uma visão colonizada de moda, e achando, costumeiramente, que tudo o que é de fora é melhor do que o produto nacional. Em alguns casos pode ser, em outros não (Exemplo rápido: Muita gente acha legal comprar roupas na Forever 21 _marca de fast fashion americana com qualidade baixa_, mas jamais pisaria numa Renner ou C&A _que tem um custo benefício ótimo, inclusive na qualidade).

Mas os estilistas, ao colocarem os preços nas alturas, pensando atrair um público seleto (o seu público imaginário) acabam por não atrair ninguém. E aí vemos praticamente a coleção toda na liquidação, ou no bazar, sendo vendida a menos da metade do preço.

A questão do preço tem seus porquês. O custo da mão de obra (difícil achar mão de obra qualificada, e quando se acha, o salário é alto _vide modelistas, que estão em falta no mercado) e da produção (os impostos no Brasil são altíssimos, há um mercado restrito de tecidos no País, aí tem que importar, e paga-se ainda mais caro). Mas ainda assim não justificam os preços altos.

Além disso, é conhecida de muitos consumidores de moda brasileira, que a qualidade do produto comprado aqui não condiz com o preço que se paga.

E aí, você, que já não tem muito dinheiro, resolve economizar para comprar uma peça específica, que você tem desejado desde o desfile. Compra, usa, ama, fica feliz, suja e lava.

E pronto, sua roupa encolhe, enche de bolinha, rasga nas costuras, desbota.

Por outro lado, muitas grifes francesas ou italianas são conhecidas pela qualidade impecável e duradoura. Muitas das roupas que você compra numa dessas maisons muito provavelmente vai poder ser usada pelas gerações futuras.

A qualidade do produto brasileiro envolve fatores como, de novo, a falta de mão de obra qualificada e os materiais disponíveis. Se na França existem ateliês (?) com artesãos especializados, que aprenderam o ofício na família, no Brasil a profissão de costureira não é valorizada  (no sentido de ser subjugada, e poucas mulheres quererem ser costureiras), e há pouquíssimas bem qualificadas (e essas são tidas como um tesouro pelos estilistas).

E em parte a culpa é nossa também. Pergunta: Quantas vezes, antes de lavar uma roupa, você olhou na etiqueta as instruções?

Não há o hábito no Brasil de se lavar uma roupa de acordo com as especificações, o que ajuda a diminuir a vida útil daquela peça. Além disso, nossas máquinas são agressivas com tecidos mais sofisticados, e nossos produtos de limpeza muito fortes.

Mas mais uma vez, esses fatores não justificam o preço alto, pois, no final das contas, há muitas marcas que colocam seus preços lá no alto para “selecionar” o público, achando que vai atingir apenas compradores da classe AA. E a pior parte, é que eles imaginam que tornar o preço mais acessível vai tornar a marca mais popular, o que seria ruim para a marca, na visão deles.

Uó.

Como lidar com isso?

É uma coisa que eu penso muito, e que, em minha opinião, de alguém que não entende muito dos negócios da moda, entrava todo o desenvolvimento da moda brasileira.

Antes de tudo, a moda tem que se satisfazer ao seu país, ao seu público, ter qualidade, design. Tem que se comprometer com seus clientes, tem que levar nas araras uma roupa boa, que vai durar, e que ao mesmo tempo, não vai custar uma quantia astronômica.

Eu realmente fico doidinha com essas coisas.

PS: Agradeço ao Luigi (@luigi_torre) por ter me dado uma aula de mercado de moda brasileira :)

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